Informativo

Informativo Sindicor-RJ Setembro/Outubro 2006

Eleições mostram maturidade do mercado e da democracia

O resultado do segundo turno das Eleições 2006 só será conhecido em alguns dias, mas para Jorge Salgado o mercado e a democracia já podem ser declarados vencedores, ao exibirem maturidade mesmo em um ambiente eleitoral dos mais conturbados, graças à certeza de que o cerne da política macroeconômica será preservado, qualquer que seja o vitorioso. “Mas fica claro que ainda há um longo caminho a ser percorrido para que o país tenha condições de aumentar o ritmo de desenvolvimento.(…) Para desatar esses nós, a pauta das reformas política, tributária, trabalhista e previdenciária deverá, obrigatoriamente, estar na agenda do presidente desde o primeiro dia de seu mandato”, afirma Salgado em seu artigo “Vitória do mercado e da democracia“.(Página 2)

Homero prevê bolsas mais ativas com a desmutualização

O presidente da Associação Nacional das Corretoras de Valores, Câmbio e Mercadorias (Ancor), Homero Amaral Júnior, afirma em entrevista ao Informativo Sindicor RJ que a desmutualização das bolsas trará mudanças significativas para o mercado. “As bolsas deverão se dedicar a atrair cada vez maior número de participantes para seus sistemas de negociação. Como empresas abertas, deverão estar atentas a seus resultados, e estes estarão diretamente relacionados com a qualidade dos mercados que as bolsas oferecerem aos investidores”, diz Homero, que destaca o programa de treinamento para profissionais do mercado entre as mais importantes atividades da Ancor. (Página 3)

Apimec discute desenvolvimento em congresso

O 19o Congresso da Apimec (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais), e cujo tema foi “Brasil – Caminhos do Desenvolvimento”, reuniu em Fortaleza quase 400 profissionais em torno de painéis como o crescimento econômico em países emergentes; os avanços do mercado de capitais e os novos instrumentos de captação e aplicações; além dos desafios do novo governo, as reformas estruturais e o crescimento sustentado.

Vitória do mercado e da democracia

O resultado final das Eleições 2006, seja ele qual for, já trouxe para a sociedade brasileira um saldo extremamente positivo, ao atestar a solidez das instituições e sua capacidade de funcionamento pleno, apesar de, lamentavelmente, o esperado debate de idéias tenha sido em grande parte prejudicado por um ambiente de escândalos e acusações.

Nesse cenário desfavorável, o mercado de capitais teve a oportunidade de exibir maturidade jamais vista anteriormente e soube distinguir, claramente, política de economia, absorvendo, sem oscilações dramáticas, episódios que em outros tempos teriam trazido grandes prejuízos aos investidores.

O fato é que o quadro macroeconômico atual encontra-se a salvo dos solavancos políticos graças à continuidade das políticas implementadas em 1994 pelo Plano Real e aprimoradas ao longo dos anos pelos governos do PSDB e do PT, que disputam novamente a faixa presidencial.

Todos temos a certeza de que, seja Geraldo Alkimin ou Luis Inácio Lula da Silva o vitorioso no dia 29 de outubro, o cerne da política macroeconômica será mantido, preservando a sociedade de retrocessos e aventuras que não cabem mais em qualquer receituário sério de estabilização da economia.

Sem querer desprezar as conquistas obtidas, fica claro que ainda há um longo caminho a ser percorrido para que o país tenha condições de aumentar o ritmo de desenvolvimento, e que o presidente eleito precisará enfrentar os desafios que teimam em amarrar a economia, condenando-a a níveis pífios de crescimento.

Para desatar esses nós, a pauta das reformas política, tributária, trabalhista e previdenciária deverá, obrigatoriamente, estar na agenda do presidente desde o primeiro dia de seu mandato, pois os muitos anos de adiamento vêm custando caro à sociedade.

A modernização do Estado, com a redução de burocracia, ocupação de funções por pessoas competentes, corte drástico nos cargos comissionados também são imprescindíveis para elevar a competitividade e permitir o aguardado salto no desenvolvimento, do qual já desfruta a maioria dos países emergentes.

Além disso, será necessário que presidente, governadores, senadores e deputados tragam para discussão temas como conflito de interesses, transparência, combate à corrupção, corporativismo e privilégios políticos, para que a ética volte a dar o tom nas relações entre política e sociedade.

Por fim, espera-se que, após o resultado das urnas, os interesses do país tenham lugar acima dos interesses partidários, e que a oposição não inviabilize o trabalho do presidente eleito – é sempre bom lembrar – com a aprovação da maioria da sociedade, como manda a boa e velha democracia.

Entrevista: Homero Amaral Júnior
“Bolsas focarão seu trabalho na eficiência de seus mercados”

Fundada em 28 de agosto de 1972, a Associação Nacional das Corretoras de Valores, Câmbio e Mercadorias (Ancor) realiza um importante trabalho em

defesa dos interesses das quase 100 associadas perante os órgãos públicos, bolsas e outras entidades, por meio de assistência técnica, jurídica, além da ampliação das bases dos mercados através da realização de palestras e seminários nas principais universidades do país. No entanto, o presidente Homero Amaral Júnior destaca o programa de treinamento para profissionais do mercado financeiro e de capitais entre as mais importantes atividades da Ancor. Não é para menos: desde o ano 2000, já foram oferecidos 561 cursos, totalizando 12.246 participantes (até agosto), como parte do Programa de Certificação de Agentes Autônomos de Investimentos, com média de aprovação de 65%. Nesta entrevista, Homero Amaral Júnior também aborda as mudanças que a desmutualização das Bolsas trará para o mercado e assegura que a Ancor ficará atenta e que “não haverá ponto relevante que não seja tratado em conjunto e, portanto, nenhum risco de prejuízo às corretoras”.

Qual é o papel da Ancor no mercado de capitais?

A Ancor é a entidade que reúne corretoras, distribuidoras e agentes autônomos de investimento, sendo também a certificadora dos agentes autônomos de investimento. Ela tem um amplo programa de treinamento para profissionais das mais diversas áreas dos mercados financeiro e de capitais. Dada a qualidade do trabalho desenvolvido (65% dos profissionais treinados conseguem aprovação nos exames de certificação) e dadas as modificações previstas no mercado em conseqüência da esperada desmutualização das bolsas, a Ancor, sendo a principal representante dos intermediadores do mercado, está também trabalhando visando ao seu reconhecimento como entidade auto-reguladora do sistema de distribuição de títulos e valores mobiliários.

Que tipo de impacto a abertura de capital das bolsas deve trazer ao mercado?

As bolsas focarão seu trabalho na eficiência de seus mercados. Para tanto deverão se dedicar a atrair cada vez maior número de participantes para seus sistemas de negociação. Como empresas abertas, as bolsas deverão estar atentas a seus resultados, e estes estarão diretamente relacionados com a qualidade dos mercados que elas oferecerem aos investidores.

De que forma a associação participará do processo de desmutualização das bolsas? Quais os maiores desafios?

A Ancor procurará participar do processo esclarecendo seus associados, os investidores e o público em geral. O processo ainda está no início, de modo que os desafios que se colocam à frente desse processo ainda estão sendo identificados.

Como a Ancor poderá contribuir para preservar os direitos das corretoras no processo?

A Ancor atuará em contato estreito, como tem ocorrido historicamente, com as Bolsas e nossos associados comuns, de modo que não haverá ponto relevante que não seja tratado em conjunto e, portanto, nenhum risco de prejuízo às corretoras.

Congresso da Apimec discute desenvolvimento do país

Palestras, debates e fóruns de discussão com o objetivo de lançar um novo olhar sobre temáticas atuais da economia brasileira, como o crescimento econômico em países emergentes; os avanços do mercado de capitais e os novos instrumentos de captação e aplicações; além dos desafios do novo governo, as reformas estruturais e o crescimento sustentado marcaram a realização do 19o Congresso da Apimec (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), realizado em 24 e 25 de agosto, em Fortaleza.

O presidente da Apimec Nacional, Milton Milioni, disse que o objetivo foi “criar um grande fórum de debates com renomados profissionais brasileiros, tendo em vista a formatação de uma proposta que contribua para nortear os caminhos para o desenvolvimento do nosso país”.

O congresso contou com as presenças do superintendente geral da Bovespa, Gilberto Mifano; do presidente da Andima, Alfredo Neves Penteado; do presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Marcelo Fernandez Trindade; do ex-ministro João Paulo dos Reis Velloso, de representantes do Ibmec, do Ipea e da FEA/USP, do especialista em contas públicas Raul Velloso, e do diretor do SindicorRJ, Mauro Mello, além de quase 400 especialistas e profissionais do mercado.

Números do mercado

A seguir, alguns números do mercado de capitais ao longo do mês de setembro, quando a Bovespa fechou em 36.449 pontos.

Fonte: Bovespa.

O volume médio de negócios em julho ficou em 2.088,7 milhão, frente aos 2.185,4 milhões de agosto, com número de negócios médio diário de 85.376, contra 83.972 em igual período comparado. A participação dos investidores ficou assim distribuída: 34,4% de estrangeiros, 28,8% de institucionais, 25,2% de pessoas físicas, 8,4% de instituições financeiras e 1,8% de empresas.

Maiores altas em 2006 (janeiro a setembro)

B. Meridional PN + MB – 556,2%

Plascar Part. PN – 445,8%

Melhor SP ON – 348,2%

Estrela ON – 323,0%

Melhor SP PN – 316,0%


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