Informativo Sindicor-RJ
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Tendência estatizante preocupa Carlos Reis
Em balanço sobre 2009, Carlos Reis analisa os acertos das medidas tomadas pelos bancos centrais e governos das maiores economias do mundo, que conseguiram controlar a crise deflagrada pelos subprimes. “No caso do Brasil, o estímulo ao consumo interno, com ações de desoneração tributária sobre vários setores, (…) criou um círculo virtuoso que garantiu o funcionamento da economia”, lembra. Mas Reis não está tranqüilo: “Duas coisas especialmente me preocupam em 2010 e nos próximos anos. A primeira é uma tendência estatizante muito forte que ganhou força neste ano e que se manifesta aqui e ali no discurso de alguns candidatos à Presidência. A outra preocupação diz respeito à política externa brasileira, que parece estar se especializando em enfrentamentos com os Estados Unidos.”
Alquéres fala sobre renascimento do Rio e pede reforma tributária
As perspectivas de crescimento e desenvolvimento para o Rio de Janeiro, a partir da confirmação de vários projetos em fase de implantação e previstos para os próximos anos, empolgam o presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, José Luiz Alquéres, cujo mandato vai até 2011. “Agora, é preciso aproveitar este momento excepcional de mobilização em torno da Rio 2016 para catalisar todas as energias em direção a mudanças reais e definitivas, que pavimentem o caminho das gerações futuras“, diz. Em entrevista exclusiva ao Informativo Sindicor-RJ, Alquéres destaca o engajamento da sociedade civil organizada e o alinhamento entre os poderes públicos como responsáveis por este “ciclo excepcional de progresso” e lembra que é “fundamental trabalhar pela reforma tributária, acelerando a atração de investimentos, desonerando o setor produtivo”.
Bolsa tem recuperação histórica
Bolsa A BM&FBovespa fechou em novembro aos 67.044 pontos, com uma recuperação histórica ao longo do ano, após ter encerrado 2008 aos 37.550 pontos. A participação dos investidores individuais se manteve na casa dos 30% e as ações com maior rentabilidade foram LLX Logística, Agrenco, Triunfo Participações, Bic Banco e Tenda.
Que venha 2010!
Carlos Reis
Este 2009 foi um ano memorável. Diferentemente dos prognósticos que há um ano grande parte dos especialistas faziam sobre o mundo e, em especial, o Brasil, o balanço é bastante positivo. Certamente que a crise deflagrada pelos subprimes não está superada e a principal locomotiva da economia mundial ainda patina para retomar seu ritmo. Mas o acerto das autoridades monetárias em agir conjuntamente, injetando liquidez ao mercado, e outras medidas complementares tomadas pelos governos ao longo do ano, trouxeram controle sobre o que poderia ter se tornado uma catástrofe econômica comparável à crise de 1929.
No caso do Brasil, o estímulo ao consumo interno, com ações de desoneração tributária sobre vários setores, deu fôlego à capacidade de produção e criou um círculo virtuoso que garantiu o funcionamento da economia. Infelizmente, essa desoneração não atingiu igualmente a cadeia produtiva e seu caráter temporário não resolve o que só uma reforma tributária séria será capaz de fazer para aumentar a competitividade da economia nacional e garantir um crescimento sustentável por muitos anos.
O mercado de capitais mostrou vigor, saindo dos 37.550 pontos, em dezembro de 2008, para 12 meses depois estar buscando os 70.000 pontos, mesmo após a polêmica decisão do Ministério da Fazenda de taxar o capital estrangeiro com IOF de 2%. Uma tendência positiva do ano passado que se manteve ao longo deste foi a mudança no patamar da participação do investidor individual na BM&FBovespa, que vem se mantendo na faixa dos 30%, o que demonstra uma aumento da importância da renda variável no portfólio do investidor pessoa física, o que só contribui para fortalecer o mercado.
Para 2010, as perspectivas na economia interna são as melhores possíveis, com a continuidade de investimentos em obras de infraestrutura, que atingirão, em especial, o Rio de Janeiro, contemplado com a escolha para sediar a abertura e o fechamento da Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016, e cuja importância é destacada pelo presidente da Associação Comercial, José Luiz Alquéres, em entrevista ao Informativo Sindicor-RJ. Mas é necessário que a sociedade civil se mantenha alerta, para que a história de superfaturamentos em obras não se repita e que o dinheiro público não seja usado de maneira irresponsável, como já vimos tantas vezes acontecer.
Duas coisas especialmente me preocupam em 2010 e nos próximos anos. A primeira é uma tendência estatizante muito forte que ganhou força neste ano e que se manifesta aqui e ali no discurso de alguns candidatos à Presidência da República. Temos, pela primeira vez em muitos anos, um ambiente dos mais auspiciosos a uma eleição presidencial e é fundamental que os candidatos estejam sintonizados com os anseios da população, que certamente não quer um retrocesso na economia do país.
A outra preocupação diz respeito à política externa brasileira, que parece estar se especializando em enfrentamentos com os Estados Unidos. Tivemos, nos últimos meses, vários exemplos em que o Brasil buscou posições antagônicas às americanas. Há muito que a política externa nacional tem uma louvável postura independente em assuntos internacionais, mas é preciso que se tenha em mente que não é contrariando o bom senso que iremos conquistar uma posição de destaque no cenário mundial.
Boas festas para todos e um 2010 de saúde, paz e prosperidade!
Entrevista: José Luiz Alquéres
“O Rio vive um momento único”
Engenheiro civil especializado em urbanismo, o presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, José Luiz Alquéres, está empolgado com as perspectivas de crescimento e desenvolvimento para o Rio nos próximos anos, a partir de investimentos já iniciados e da confirmação de vários projetos que prometem devolver dinamismo à economia do Estado. “A primeira vocação do Rio é ser a capital do conhecimento, o que abre um grande leque de oportunidades de negócios e empreendimentos nas áreas da educação, audiovisual, desenvolvimento cultural, economia criativa, gestão da tecnologia e inovação”, diz Alquéres, presidente do Grupo Light. As obras previstas para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016 são a parte mais visível de um incremento dos investimentos no Estado, que inclui o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, a Companhia Siderúrgica do Atlântico, o Anel Rodoviário. Alquéres também acredita que é fundamental dar prosseguimento às políticas de segurança pública atuais, como as Unidades Pacificadoras. “Os primeiros resultados indicam que estamos no rumo certo”, afirma.
De que forma a ACRJ, nesta fase preparatória, poderá contribuir para que os eventos Copa do Mundo e Olimpíadas tornem-se sucesso e ampliem, de forma duradoura, a vocação turística do Rio de Janeiro?
A vitória do Rio de Janeiro na acirrada disputa pelo direito de sediar os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016 é a coroação de um grande movimento, que uniu as três esferas de governo, federal, estadual e municipal; o empresariado fluminense e diferentes setores da sociedade em torno do mesmo objetivo, do mesmo compromisso comum. A ACRJ apostou nesta idéia desde o início. Meu antecessor, Olavo Monteiro de Carvalho, foi o articulador incansável da aliança pelo Rio. Foi dele a iniciativa de criar o Comitê Empresarial Rio 2016, para viabilizar os recursos necessários aos estudos que serviram de base para a construção do projeto de Legado da Rio 2016, apresentado ao COI. À frente do Comitê, Monteiro de Carvalho promoveu várias reuniões na sede da ACRJ, para discutir as estratégias e a elaboração do legado, com empresários dos mais diferentes setores, representantes governamentais e dirigentes esportivos. Agora, é preciso aproveitar este momento excepcional de mobilização em torno da Rio 2016 para catalisar todas as energias em direção a mudanças reais e definitivas, que pavimentem o caminho das gerações futuras. O Rio de Janeiro e o Brasil começam a se beneficiar desde já com esta vitória, pois a realização desses eventos contribuirá decisivamente para a construção da imagem do Rio, do Brasil, favorecendo seu protagonismo no cenário mundial. A ACRJ, por meio de seus conselhos empresariais, continua participando ativamente dos processos decisórios e dos projetos ligados à Rio 2016 e à Copa do Mundo.
O sr. percebe outras vocações econômicas para o RJ, além das tradicionais turismo, moda e cultura?
A primeira vocação do Rio é ser a capital do conhecimento, o que abre um grande leque de oportunidades de negócios e empreendimentos nas áreas da educação, audiovisual, desenvolvimento cultural, economia criativa, gestão da tecnologia e inovação, lembrando que temos a maior rede de comunicação do país. Também prosperam os setores de seguros, resseguros e asset managements. O Rio também é a capital brasileira do Petróleo e aqui estão instaladas as sedes de algumas das maiores empresas petrolíferas, além da Petrobras, e também as grandes da área de Energia, como Eletrobrás, Furnas, Light e Ampla. O Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro e a Companhia Siderúrgica do Atlântico também serão grandes alavancadores do desenvolvimento do estado e da capital fluminense. Além disso, graças à retomada dos investimentos em infraestrutura, como a construção do Arco Rodoviário, o Rio contará com os mais modernos hub ports (portos concentradores de carga), garantindo competitividade ao nosso comércio exterior, em pé de igualdade com outros portos mundo afora. Tudo isso, apenas para citar as vocações mais evidentes, além do Turismo e do Comércio de bens e serviços, que ganharão ainda mais importância com a perspectiva da realização dos grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas.
O que pode ser feito para que esses novos nichos econômicos tornem-se sustentáveis?
Na verdade não se tratam de “novos nichos”. O que acontece é que o Rio de Janeiro está vivendo um momento único, de retomada do seu crescimento, do seu desenvolvimento econômico e social, atraindo investimentos, gerando inúmeras oportunidades. Quanto à questão da sustentabilidade, a cidade do Rio de Janeiro saiu na frente, ao lançar o Plano Rio Sustentável, cujo objetivo é reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 8% até 2012, em 16% até 2016 e em 20% até 2020. A Associação Comercial do Rio de Janeiro firmou uma ampla parceria com a prefeitura do Rio, a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS), presidida por Israel Klabin, e o Movimento Rio Como Vamos, a fim de viabilizar e garantir o cumprimento dessas metas, para transformar o Rio na capital da sustentabilidade.
Quais os gargalos poderão minar essa oportunidade de crescimento que se vislumbra para o país e o RJ?
Não existe esta possibilidade. O engajamento da sociedade civil organizada e o alinhamento entre os poderes públicos permitem afirmar que vivemos um ciclo excepcional de progresso. Neste momento – no Brasil, no Rio de Janeiro – é fundamental trabalhar pela reforma tributária, acelerando a atração de investimentos, desonerando o setor produtivo. E continuar promovendo boas políticas de segurança pública, inovadoras, como a instalação de mais Unidades Pacificadoras, como as já existentes em algumas comunidades cariocas, cujos primeiros resultados indicam que estamos no rumo certo.
Números do mercado
A seguir, os principais números do mercado de capitais. Fonte: BM&FBovespa.
- A BM&FBovespa fechou em 67.044 pontos em novembro, contra 61.545 pontos em outubro, com volume médio de negócios de R$ 6.473,2 milhões, frente a R$ 7.345,6 milhões no mesmo período.
A participação dos investidores ficou assim distribuída em novembro e outubro, respectivamente: 30,3% pessoa física, frente a 30,5%; 29,5% investidores estrangeiros, ante 33,7% no mesmo período; 27,8% investidores institucionais, contra 24,8%; 2,3% empresas, ante 2,0%; 10,1% de instituições financeiras, contra 9% no mesmo período.
Maiores altas (janeiro a novembro)
LLX LOG ON : 489,40
Agrenco DR3 : 454,55%
Triunfo Part : 450,29%
Bic Banco PN: 408,76%
Tenda ON: 394,83%
Maiores baixas
Batistella ON: – 55,43%
Pettenati ON: – 50,75%
Portobello ON: -50,00%
Brasil Telec ON: – 49,53%
Karsten PN: – 46,50%


