Carlos Reis condena prognósticos pessimistas
Em seu artigo “Pessimismo não tornará 2009 melhor”, o presidente do Sindicor-RJ, Carlos Reis, faz um balanço de 2008, “um dos mais conturbados da economia mundial” e alerta para que se tome cuidado para não se deixar contaminar pelos cenários muito negativos traçados por alguns analistas. “Governos e bancos centrais estão agindo de forma coordenada e, desta vez, o Brasil está mais preparado para enfrentar os problemas decorrentes desta crise global”. Reis destaca ainda um dado positivo para o mercado de capitais nacional: o crescimento da participação do investidor individual na bolsa, “que saiu de uma média de menos de 25% para quase 27%, tendo em novembro alcançado 34% do total de investidores. “Isso denota amadurecimento do investidor pessoa física, que, ao que tudo indica, começa a ver o investimento no mercado de capitais como opção de médio e longo prazos”, avalia. (Página 2)
Para Abrasca, empresas devem manter funções essenciais e investimentos (foto)
O presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), Antonio Duarte Carvalho de Castro, afirma que, atualmente, a entidade examina outras medidas de auto-regulação para suas associadas. “Consideramos um caminho muito importante para a evolução do mercado de capitais”, diz Castro, para quem a maior contribuição que o governo pode dar para estimular o crescimento do mercado é o desenvolvimento de uma política anti-crise, com menos gastos de custeio e mais investimento em infra-estrutura. “A manutenção do emprego e da renda são fundamentais para que surjam os investidores individuais”, diz em entrevista exclusiva ao Informativo Sindicor-RJ, na qual afirma ainda que o principal esforço das empresas em 2009 será no sentido de se adaptarem às novas condições do cenário econômico, mantendo suas funções essenciais, os investimentos e potencial de crescimento. (Página 3)
Sindicor-RJ renova equipamentos e instalações
Para atender à demanda crescente de seus associados e parceiros, o Sindicor-RJ modernizou seus equipamentos de informática e ampliou a capacidade de seu auditório, utilizado para a realização de cursos de aprimoramento para os profissionais do mercado. (Página 4)
Pessimismo não tornará 2009 melhor
Carlos Reis
Não é fácil fazer um balanço do ano de 2008, que certamente entrará para a história como um dos mais conturbados da economia mundial. Um ano e meio depois de deflagrada a crise sobre o mercado de crédito imobiliário americano, o mundo saiu de um longo período de crescimento para um cenário dos mais desoladores. O prognóstico mais otimista para 2009 é que haverá apenas uma redução no crescimento dos países emergentes e breve recessão na União Européia, nos Estados Unidos e Japão. No cenário mais negro, fala-se já em depressão. Porém, é importante que o pessimismo não tome conta das mentes, pois não só os governos e os bancos centrais estão agindo de forma coordenada como, desta vez, o Brasil está mais preparado para enfrentar os problemas decorrentes desta crise global.
A bolsa brasileira avançou e recuou ao sabor das notícias vindas dos principais mercados e dos pacotes americanos, europeus e chineses. Com a saída massiva do capital estrangeiro, a redução no volume de negócios da BM&FBovespa foi grande, tendo caído de uma média de R$ 7,035 bilhões diários, em maio, para R$ 4,19 bilhões nos primeiros 10 dias de dezembro.
Os desdobramentos da crise provocaram espetaculares oscilações nos preços dos ativos, em especial os das commodities, que despencaram após terem batido recordes sucessivos ao longo de 2007 e 2008. No caso do Brasil, este fato foi especialmente significativo, dado que os carros-chefes da BM&FBovespa são Petrobrás e Vale, empresas que em um intervalo de poucos meses tiveram os preços de suas ações alcançando recordes para depois caírem a cerca de um terço.
As empresas novatas também foram duramente castigadas pelo movimento, já que nas ofertas públicas iniciais (IPO, na sigla em inglês) haviam sido capitalizadas massivamente por esses investidores. No clima de incerteza, até mesmo os sólidos bancos nacionais não escaparam da desvalorização.
A BM&Fbovespa, em seu primeiro ano de vida como empresa de capital aberto, precisou enfrentar ainda o desafio de manter-se rentável, mesmo com a redução significativa de negócios. O anúncio da criação de novos produtos e a remuneração mais adequada de serviços já oferecidos certamente ajudarão a tornar mais atrativo o mix de receitas da bolsa.
Um dado interessante a se destacar – e muito positivo para a BM&Fbovespa – é que, diferentemente de outros períodos de crise, desta vez o investidor individual não bateu em retirada, num típico comportamento de manada. Na verdade, o que se vê é o crescimento de sua participação na bolsa, que saiu de uma média de menos de 25% para quase 27%, tendo em novembro alcançado 34% do total de investidores. Esta novidade denota amadurecimento do investidor pessoa física, que, ao que tudo indica, começa a ver o investimento no mercado de capitais como opção de médio e longo prazos, evitando manobras simplesmente por impulso.
Outro fato marcante neste ano foi a decisão dos principais atores da economia mundial – o G-7 – de agirem de forma conjunta para debelar a crise, reduzindo juros e injetando liquidez ao mercado. Além disso, passaram a agregar alguns atores antes meros figurantes – o G-20 – às discussões sobre as medidas necessárias à redução dos impactos da crise que, afinal, teve origem nos países desenvolvidos.
Para 2009, a perspectiva é de que teremos um ano difícil. Mas, felizmente, as autoridades brasileiras vêm agindo com presteza e tomaram decisões acertadas para devolver liquidez ao mercado nacional, estimular a produção e o consumo, o que poderá suavizar os efeitos mais danosos sobre nossa economia.
As crises são dolorosas mas também costumam oferecer ótimas oportunidades para os que estão atentos. Estou certo de que, vencidos os desafios mais difíceis, o mercado, com sua incrível capacidade de recuperação, se tornará ainda mais forte.
Desejo a todos boas festas e um 2009 de saúde, paz e prosperidade.
Entrevista: Antonio Duarte Carvalho de Castro
“Empresas terão que se adaptar ao cenário econômico”
Há muito a Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca) se preocupa com a conduta de suas associadas em relação ao mercado. O lançamento, em julho de 2007, do Manual Abrasca de Controle e Divulgação de Informações Relevantes foi uma demonstração clara disso. Seu presidente, Antonio Duarte Carvalho de Castro, afirma que, atualmente, a Abrasca examina outras medidas de auto-regulação. “Consideramos um caminho muito importante para a evolução do mercado de capitais”, diz. A associação também está empenhada em popularizar o mercado de capitais: nesta entrevista, Antonio Castro enumera uma série de parcerias com entidades para, já em 2009, levar um programa de educação financeira a diversas escolas públicas. Diretor Administrativo e Financeiro da Mabel Alimentos S.A., o economista Antonio Castro passou grande parte de sua vida profissional na Souza Cruz, onde foi tesoureiro corporativo, gerente de Relações com Investidores, entre outras funções. Ele acredita que 2009 não será um ano fácil. “O principal esforço das empresas será no sentido de adaptar-se às novas condições do cenário econômico, de modo a manter suas funções essenciais, os investimentos em andamento e o potencial de crescimento”, resume.
Neste momento em que o investir estrangeiro bate em retirada do mercado de capitais brasileiro, por que as empresas de capital aberto não apóiam mais iniciativas de educação do investidor nacional, visando ao longo prazo?
Grandes esforços estão sendo desenvolvidos para aprimorar os conhecimentos sobre o mercado de capitais. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários), em parceria com a Abrasca e diversas outras entidades do mercado, desenvolve um programa de educação financeira que deverá levar, já em 2009, à implantação do estudo de educação financeira em diversas escolas públicas. O projeto tem grande alcance e conta com a participação do Ministério da Educação. Além disso, estão sendo desenvolvidos cursos sobre mercado de capitais e investimento em ações para professores universitários e foi criado um Prêmio Imprensa para matérias sobre o mesmo tema. No âmbito do Plano Diretor do Mercado de Capitais, entidade da qual faz parte a Abrasca e cerca de 50 outras entidades, há iniciativas na área da educação, distinguindo-se o esforço para introduzir o mercado de capitais e o investimento em ações nas grades de todos os cursos superiores. Finalmente, cabe ressaltar o trabalho do INI (Instituto Nacional de Investidores), entidade mantida por companhias abertas, que proporciona diversos cursos para investidores iniciantes, destacando-se aqueles que ensinam a formar um clube de investimentos.
Como o governo poderia estimular o crescimento da presença do investidor individual no mercado de capitais?
A maior contribuição do governo para estimular o crescimento do mercado de capitais é o desenvolvimento de uma boa e sólida política anti-crise, com menos gastos de custeio e mais investimento público na infra-estrutura. A manutenção do emprego e da renda são fundamentais para que surjam os investidores individuais. Outras medidas mais diretas poderiam ser acionadas, como a permissão para o uso do FGTS em ações. É sempre bom lembrar que, quando o governo lançou o Fundo Petrobrás com recursos do FGTS, muitos trabalhadores aproveitaram a oportunidade e viram seu FGTS aumentar substancialmente.
Como está a aceitação do Manual de Controle e Divulgação após um ano e meio de lançamento?
O Manual Abrasca de Controle e Divulgação de Informações Relevantes é um conjunto de normas e condutas para orientação das empresas no tocante à proteção de assuntos relevantes. É um processo lento de assimilação por parte das empresas, que envolve inclusive a aceitação de uma política de negociação de ações e precisa ser debatido internamente em diversos escalões, o que inclui o Conselho de Administração e o departamento jurídico. A Abrasca está continuamente empenhada em sua disseminação.
A Abrasca pretende lançar em 2009 nova edição do manual, sugerindo novas condutas que evitem problemas de governança com os ocorridos recentemente com algumas empresas, que omitiram suas elevadas exposições em derivativos?
A atualização do manual é um processo em curso. A adesão de empresas e sua disseminação interna é problema a ser resolvido por cada empresa, atendidas as suas particularidades. A nova edição do manual conterá, certamente, mais algumas importantes recomendações, mas o esforço da Abrasca é no sentido de que as empresas devem assimilar o que está no manual e repassar para seus funcionários em todos os níveis. Só assim seremos eficazes. A Abrasca, no momento, examina outras medidas de auto-regulação, que consideramos um caminho muito importante para a evolução do mercado de capitais.
Quais os principais desafios que as empresas de capital aberto enfrentarão em 2009?
Em 2009, o principal esforço das empresas será no sentido de adaptar-se às novas condições do cenário econômico, de modo a manter suas funções essenciais, os investimentos em andamento e o potencial de crescimento. Não vai, certamente, ser um ano fácil. Entre os óbices a serem superados pelas empresas está a deficiência de crédito, principalmente para as de menor porte.
Sindicato em ação
- O Sindicor-RJ renovou totalmente seus equipamentos de informática, para dar mais eficiência e rapidez aos serviços que oferece aos seus associados.
- O auditório Manoel Félix Cintra Neto, onde são ministrados os cursos oferecidos pelo Sindicato e outras entidades parceiras, teve sua capacidade ampliada, para atender melhor à crescente demanda.
- O Sindicor-RJ está contactando e cadastrando novos filiados. Os interessados poderão ligar para (21) 2507-7171.
- A Ativa Educar, braço educacional da Ativa Corretora, oferece variada grade de cursos e palestras presenciais em diversas regiões do país com o apoio de uma equipe de professores e palestrantes experientes. Outras informações: www.ativaeducar.com.br
Números do mercado
A seguir, os principais números do mercado de capitais. Fonte: BM&FBovespa.
- A BM&FBovespa fechou em 36.595 pontos em novembro, contra 37.256 pontos em outubro, com volume médio de negócios de R$ 3.773,9 milhões, frente a R$ 5.327,9 milhões no mesmo período.
A participação dos investidores ficou assim distribuída em novembro e outubro, respectivamente: 34% pessoa física, frente a 29,7%; 33,5% investidores estrangeiros, ante 36,9% no mesmo período; 23,8% investidores institucionais, contra 24,4%; 3,1% empresas, ante 2,9%; 5,4% de instituições financeiras, contra 6% no mesmo período.
Maiores altas (janeiro a novembro)
Nossa Caixa PN – 179,56
Haga S/A PN – 105,56%
Vigor PN – 93,41
Brasil Telec ON – 80,39
Est Piauí ON – 58,03
Maiores baixas
Agrenco DR3 – 97,92%
Laep DR3 – 95%
Abyara ON – 93,05%
Inpar S/A ON – 91,95%
Metal Iguaçu )N – 90,65%


