UM SINAL DE ESPERANÇA
O fomento ao mercado de capitais, como importante instrumento para o que chamou de desenvolvimento sustentado, foi anunciado pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, em pronunciamento à Nação no dia seguinte à proclamação do resultado das eleições.
Não se tratando de um discurso de palanque, pode significar um sinal de esperança e de novos tempos para um segmento que sentimos esquecido e até perseguido por políticas anteriores que, mesmo com suas virtudes intrínsecas, não o levaram na devida conta como impulsionador do desenvolvimento, do financiamento das empresas e da poupança de longo prazo.
Disse Lula: “A construção dessa nova perspectiva de crescimento sustentado e de geração de emprego exigirá a ampliação e o barateamento do crédito, o fomento ao mercado de capitais e um cuidadoso investimento em ciência e tecnologia. Exigirá também uma inversão de prioridades no financiamento e no gasto público, valorizando a agricultura familiar, o cooperativismo, as micro e pequenas empresas e as diversas formas de economia solidária”.
Tais colocações, mesmo que estejamos rescaldados por outras promessas não cumpridas de governantes, merecem ser recebidas com otimismo, até mesmo porque partiram do líder de um partido que, na oposição, sempre foi radical em posições contra o mercado, pregando maior tributação sobre os ganhos de capitais sem identificar suas origens, como se tudo pudesse ser colocado no mesmo balaio, sem levar em conta riscos e destinação das aplicações.
Não podemos ser céticos: mesmo aqueles que não votaram em Lula haverão de reconhecer que o presidente eleito evoluiu muito em suas posições, passou a conhecer mais os vários segmentos que tocam a Nação e, em seu encontro na Bolsa de Valores de São Paulo, saiu aplaudido e recebeu com satisfação o plano de desenvolvimento do mercado de capitais que lhe foi entregue.
Parece ter chegado finalmente à conclusão de que capital e trabalho precisam trabalhar juntos para que o País cresça como um todo, gerando riquezas e empregos, redistribuindo renda e aos poucos reduzindo o alto grau de pobreza de milhões de brasileiros.
Ficamos satisfeitos em ouvir do presidente eleito a promessa de incentivo ao mercado de capitais, até mesmo porque foi espontânea e firme em seu discurso mais esperado porque destinado não só ao público interno, mas também aos investidores internacionais. Pode ser o sinal da esperança em novos tempos para as bolsas brasileiras, que estão preparadas para aceitar o desafio.
Hoje, a Bovespa está convenientemente aparelhada, principalmente do ponto de vista tecnológico de produtos e serviços, para desempenhar o seu papel. O Plano Diretor do Mercado de Capitais está em andamento, com os projetos sendo estuda dos e implementados conforme o cronograma.
O pronunciamento do presidente eleito pode ser o incentivo que nos faltava para aprofundar estudos e medidas, manter a mobilização dos vários segmentos da economia, inclusive dos trabalhadores, e esperar que a nova equipe econômica entenda o recado do presidente eleito e implemente as medidas que faltam para que o mercado de capitais volte a ser pujante, atraia novos investidores e empresas e volte a ser o importante instrumento para o crescimento sustentado, como quer Lula.
Enfim, vamos esperar que as palavras se transformem em ações efetivas, que o sinal de esperança se transforme em realidade, que a Bolsa volte a ser destino de boa parte da poupança de milhões de brasileiros.
Francisco de Paula Elias Filho – Presidente
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