Informativo

Informativo Sindicor-RJ Novembro/Dezembro 2007

Desmutualização e IPOs marcam ano de boas notícias

“O sucesso dos IPOs da Bovespa, que alcançou R$ 6,6 bilhões, e da BM&F, com volume ofertado de R$ 5,2 bilhões e 284 mil subscrições, não deixa dúvidas quanto ao acerto da decisão tomada há cerca de dois anos pela desmutualização das bolsas”, analisa Jorge Salgado em seu artigo “Um grande ano para as bolsas”. Ao seguir uma tendência mundial, afirma, as duas bolsas ganham competitividade e independência para atender as demandas cada vez maiores do mercado por melhores serviços. “O momento escolhido não poderia ter sido melhor: 2007 foi o ano dos IPOs no País, com 64 ofertas públicas iniciais, que movimentaram 54,6 bilhões”, 10 das quais superando a marca de R$ 1 bilhão, num cenário de crescimento consistente da economia. Em 2008, a expectativa é de que prossiga o avanço nos negócios e que “da parte do Governo, o fim da CPMF abra oportunidade para trazer de volta à pauta as reformas estruturais e os cortes nos gastos”, assinala Salgado. (Página 2)

Joaquim Levy prioriza modernização da arrecadação

Ao assumir a Secretaria de Fazenda do Estado há quase um ano, Joaquim Levy iniciou um processo de “arrumação da casa”, que inclui melhorar a eficiência da arrecadação, com a utilização mais efetiva de call centers, e a atuação em parceria com o Ministério Público e a Polícia Civil. No momento em que concedia esta entrevista ao Informativo Sindicor-RJ, o secretário finalizava um contrato com o BNDES, de R$ 15 milhões, para a modernização da gestão. “Neste ano, houve um primeiro investimento na compra de quase 700 computadores, que substituem alguns `brontossauros’ que estavam nas principais inspetorias de fiscalização da Secretaria de Fazenda”, conta este carioca com larga experiência nos setores público e privado, no Brasil e no exterior. “Temos investido bastante em novos softwares, integração, e em janeiro de 2008 será realizado um concurso para novos fiscais”, afirma Levy. (Página 3)

Bovespa atinge 43O recorde em dezembro

A Bovespa acumulou ao longo do ano uma sucessão de recordes, batendo o 43o em 6 de dezembro, ao alcançar 65.790 pontos, com volume total negociado de R$ 5.869.819.919,31. O volume médio diário em dezembro foi de R$ 6,988 bilhões, com a média de 220.175 negócios diários. O home broker também apresentou crescimento consistente ao longo de 2007, e o número de investidores com ofertas alocadas foi recorde, chegando a 215.424 em novembro. (Mercado em Ação – Página 4)

Um grande ano para as bolsas
Jorge Salgado

Ao se fazer um balanço deste que foi um ano generoso para o mercado de capitais, dentre os muitos acontecimentos importantes um se destaca: a desmutualização das bolsas, processo iniciado há cerca de dois anos por Raymundo Magliano Filho, Nelson Spinelli, Gilberto Mifano e o conselho de administração da Bovespa, e por Manoel Félix Cintra Neto, Renato Junqueira, Edemir Pinto e conselhos da BM&F. O sucesso dos IPOs da Bovespa, que alcançou R$ 6,6 bilhões, e da BM&F, com volume ofertado de R$ 5,2 bilhões e recorde de participação de pessoas físicas em aberturas de capital, totalizando 284 mil subscrições, não deixa dúvidas quanto ao acerto da decisão.

Ao seguir uma tendência mundial, realidade nas bolsas de Chicago, Nova York (Nyse), Nasdaq, Londres, Frankfurt e Hong Kong, só para citar algumas, as bolsas brasileiras ganharam mais independência e competitividade para oferecer melhores serviços. A mudança também foi boa para as sociedades corretoras, que trocaram seus títulos por ações, o que proporcionará um crescimento em bases mais sólidas, com maior liquidez e aumento na capacidade de investimento.

O momento escolhido não poderia ter sido melhor: 2007 foi o ano dos IPOs no País, com 64 ofertas públicas iniciais, que movimentaram 54,6 bilhões, superando largamente o positivo ano de 2006, quando 26 empresas foram à bolsa pela primeira vez, com volume de oferta de R$ 15,3 bilhões.

Desta vez, tivemos 10 lançamentos em diferentes setores que ultrapassaram o marco de R$ 1 bilhão, o que mostra o potencial da economia brasileira: GVT Holding, JBS Friboi, Daycoval, Marfrig, Redecard, MRV, Amil e MPX Energia, além de Bovespa e BM&F.

O cenário interno, com crescimento consistente da economia, inflação sob controle, queda na taxa de juros, reservas internacionais recordes e um mercado interno que se fortalece, contribuíram para tornar o país muito atrativo para os investidores estrangeiros, que tiveram uma participação média de 70% nos IPOs das companhias brasileiras.

Para 2008, espera-se a continuidade do aumento dos negócios na Bovespa, que iniciou o ano com 38.300 pontos e bateu 65.790 pontos em dezembro, consolidando-se como a principal bolsa da América Latina e uma das maiores do mundo.

Da parte do Governo, é aguardada a agilização dos projetos do Plano de Aceleração do Crescimento, que poderá trazer grandes benefícios para a economia, tornando-a mais forte para enfrentar um eventual arrefecimento do crescimento mundial, caso se confirme uma desaceleração mais forte da economia americana.

A perda de receitas provocada pelo fim da CPMF abre uma ótima oportunidade para o Governo trazer de volta à pauta as reformas estruturais e os cortes nos gastos, esquecidos pela pujança demonstrada nos recordes sucessivos de arrecadação. Serviria para mostrar seriedade na gestão da coisa pública, o que poderia abreviar a concessão do grau de investimento ao País, tornando-o um destino preferencial do capital de qualidade.

Certamente, não faltarão boas oportunidades de investimento na Bovespa, agora ainda mais bem preparada para receber novas companhias interessadas em financiar sua expansão de maneira saudável e moderna.

A todos, um Ano Novo de paz, saúde e prosperidade!

Entrevista: Joaquim Levy
“Sem coerência das políticas públicas, fica difícil fazer o PIB crescer”

Ao anunciar o nome de Joaquim Vieira Ferreira Levy como Secretário de Fazenda do Estado, logo após as eleições de 2006, o governador Sérgio Cabral mostrou que estava firmemente empenhado em arrumar as finanças do Rio de Janeiro, conseguindo o que parecia impossível: afastá-lo da vice-presidência de Finanças e Administração do Banco Interamericano de Desenvolvimento, em Washington. Carioca, com larga experiência nos setores público e privado no Brasil e no exterior, Joaquim Levy assumiu a missão após ocupar cargos como o de secretário do Tesouro Nacional, economista-chefe do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, e subsecretário de política econômica do Ministério da Fazenda, para citar apenas alguns. Nesta entrevista, ele faz um balanço de seu primeiro ano na Secretaria, revela planos para 2008, como o contrato de R$ 15 milhões que está sendo fechado com o BNDES, para modernizar a arrecadação do Estado. E critica o “relaxamento de certas autoridades”, que causaram “uma tremenda desvalorização imobiliária” em bairros nobres. “Desvalorizar certas áreas nobres significa evaporar anos de trabalho dos que investiram sua poupança na compra de imóveis. Além de empobrecer quem já está, afugenta quem pensa em vir. Se não houver uma coerência das políticas públicas, fica mais difícil fazer o PIB crescer”, sentencia.

Qual a estimativa de investimento até 2010 na modernização da gestão da arrecadação?

Estamos assinando um contrato com o BNDES de R$ 15 milhões para esse fim. Esse ano houve um primeiro investimento na compra de quase 700 computadores, que substituem alguns brontossauros que estavam nas principais inspetorias de fiscalização da Secretaria de Fazenda. Além disso, temos investido bastante em novos softwares, integração etc. O investimento em novos fiscais, por meio de concurso a ser realizado em janeiro de 2008, acho que será muito produtivo também.

A terceirização do call center, adotada pelo setor privado com ganho de eficiência para cobranças e outros serviços, poderá chegar à secretaria na cobrança de tributos?

É uma possibilidade. Hoje já temos um call center bastante flexível, em que o principal papel da secretaria é definir os scripts e a estratégia a cada mês. Estamos negociando com alguns bancos para terceirizar a cobrança amigável em um sistema integrado com a Procuradoria Geral do Estado, que está convencida da importância de se concentrar os esforços do setor publico nas grandes causas que são mais complexas, terceirizando outras atividades importantes, mas que não exigem tanta participação do setor público.

Como está o ritmo de adoção do sistema de notas fiscais eletrônicas no Estado do Rio? Qual o reflexo da implantação deste sistema na arrecadação do Estado?

A nota fiscal eletrônica ainda é incipiente, mas seu uso vem se multiplicando. No começo do ano que vem vamos estar na grande rede nacional, começando com a nota fiscal eletrônica nos setores de cigarros e combustíveis. Acho que vai ser uma revolução. Enquanto isso, estamos modernizando os requisitos dos emissores de cupom fiscal e outros elementos que permitam maior cruzamento de dados.

O PIB per capita do Rio de Janeiro ficou em 2004, pela primeira vez, abaixo do de SP. É uma situação irreversível?

Acho que não. O crescimento do Rio não vai acontecer por acaso. Tem que ser uma estratégia ampla. Não dá, por exemplo, para o relaxamento de certas autoridades causarem uma tremenda desvalorização imobiliária em bairros nobres. Além do problema de segurança, que tem impacto na atração de mão-de-obra de alto nível, isso é um golpe na poupança coletiva de grandes proporções. Desvalorizar certas áreas nobres significa evaporar anos de trabalho dos que investiram sua poupança na compra de imóveis. Além de empobrecer quem já está, afugenta quem pensa em vir. Então, se não houver uma coerência das políticas públicas, fica mais difícil fazer o PIB crescer.

Quando começará a ser sentido o impacto da implantação do Pólo Petroquímico de Itaboraí na arrecadação do Estado? O sr. tem alguma estimativa do quanto o RJ se beneficiará em termos de arrecadação?

O principal impacto do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) vai se dar se conseguirmos fazer um zoneamento em volta do Arco Rodoviário que transforme o Rio, verdadeiramente, em pulmão logístico do Brasil. O que vai dar ICMS é, por exemplo, atrair as fábricas que usam os produtos do Comperj. O Estado de São Paulo já dá uns benefícios para as empresas que se instalam perto das suas refinarias. Nós até podemos dar, mas o principal é investirmos em uma logística de ponta. Garantir que o produto estará no contêiner e no porto em um par de horas ao invés de dias. E do cais dentro do navio também rapidamente. Não dá para achar isso sonho ou brincadeira — ou focamos toda a nossa energia e capacidade em conseguir isso – áreas seguras e de fácil acesso para serem retroportos, um melhor acesso ao Porto do Rio e a modernização desse porto com um grande pátio de contêineres, ou os efeitos do Comperj serão mitigados. No curto prazo, claro, as obras vão ajudar, mas há que pensar mais longe, inclusive garantindo saneamento e água nas comunidades que vão surgir perto do Comperj, assim como bom transporte para escoar a produção e trazer os empregados.

Podemos nos preparar para em 2008 assistir a novas operações conjuntas entre o Ministério Público, a Polícia Civil e a Secretaria de Fazenda, para reprimir a sonegação de impostos?

Sempre que houver necessidade os órgãos do Estado vão agir. E sempre que agirem será em sintonia.

O sr. poderia fazer um balanço do primeiro ano à frente da Secretaria?

Foi um ano de arrumação de casa, fechar buracos, sistematizar ações. Houve avanços importantes, coibindo práticas nocivas, instaurando novos processos, motivando as pessoas. Conseguimos recursos para que todo o Estado funcione bem. Não faltou dinheiro para saúde, educação, segurança ou saneamento. Estamos pagando o décimo terceiro adiantado e cumprindo religiosamente o programa de investimento, especialmente na despoluição da Baía de Guanabara.

Números do Mercado

A seguir, os principais números do mercado de capitais em novembro e dezembro*. O destaque vai para o recorde 65.790 pontos, obtido pelo Ibovespa em 6 de dezembro, o 43º do ano, superando os 65.317 pontos do fechamento de 31/10/07.O volume total negociado foi de R$ 5.869.819.919,31. Fonte: Bovespa

- A Bovespa teve volume médio diário em dezembro de R$ 6,988 bilhões, após ter iniciado o ano com R$ 2,204 bilhões, com a média de 220.175 negócios diários, contra 77.680 em janeiro de 2007.

- A bolsa encerrou 2007 com 450 empresas listadas, tendo começado o ano com 394 companhias.

- O Home Broker registrou em novembro recordes de médias diárias de volume financeiro, com R$ 1,17 bilhão, e de número de negócios, com 117.794, superando os R$ 1,10 bilhão e as 111.047 transações realizadas em outubro. O número de investidores com ofertas alocadas chegou a 215.424, contra 173.502 no mesmo período.

*Até 19 de dezembro, data de fechamento desta edição.


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