Futuro promissor para o mercado
Em seu artigo “Novos tempos para o Brasil e o mercado”, Jorge Salgado comenta o desempenho do mercado de capitais brasileiro, que demonstrou maturidade, apesar de algumas turbulências externas e internas, com a Bovespa atingindo o recorde de 43.754 pontos em 14 de dezembro*. “O Home Broker também bateu sucessivos recordes no ano, enquanto o número de empresas participantes dos segmentos especiais da Bovespa elevou-se para 92 (…). A queda da taxa de juros, a redução do Risco Brasil e os recordes na balança comercial contribuem ainda para uma expectativa otimista”.
Eduardo Eugênio espera mais transparência na gestão dos recursos públicos
Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira representa, através do Sistema Firjan, 103 sindicatos e 16 mil empresas fluminenses e conhece como poucos as dificuldades enfrentadas pelo setor. Em entrevista ao Informativo Sindicor-RJ, o presidente da Firjan fala sobre o “Mapa do Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro”, um detalhado planejamento de ações elaborado com a colaboração de mais de mil empresários, e de suas expectativas para com o governador eleito, Sérgio Cabral. “O governo do Estado do Rio de Janeiro necessita implantar um sistema de gestão eficiente, de forma a racionalizar seus gastos e ter condições para promover investimentos. É preciso ter iniciativas que permitam a maior transparência possível na gestão dos recursos públicos”, afirma.
Recordes são destaques em “Números do mercado”
Na coluna “Números do mercado”, os destaques vão para a Bovespa, que em 11 de dezembro bateu recorde histórico de 43.297 pontos, e para o Home Broker, que em novembro registrou três novos recordes: média diária de volume, de R$ 404 milhões, ante R$ 317 milhões em outubro; média diária de número de negócios, com 46.737, contra 38.579; e participação no volume total da Bovespa, que ficou em 8,15%, ante 7,18% no mesmo período.
Novos tempos para o Brasil e o mercado
Jorge Salgado
O ano que termina foi repleto de notícias positivas para o mercado de capitais brasileiro, que se mostrou mais maduro e capaz de enfrentar turbulências externas e internas, com a Bovespa atingindo o recorde de 43.754 pontos em 14 de dezembro – 10.125 mil pontos acima do número máximo alcançado em 2005, exatamente um ano antes. O Home Broker também bateu sucessivos recordes no ano, tendo encerrado novembro com volume total de negócios de R$ 7,677 bilhões, frente a R$ 3,333 bilhões em novembro de 2005, enquanto o número de empresas participantes dos segmentos especiais da Bovespa elevou-se para 92, sendo 42 no Novo Mercado, 14 no Nível 2 e 36 no Nível 1, apontando para a chegada de novos tempos.
A queda da taxa de juros, a redução do Risco Brasil e os recordes na balança comercial contribuem ainda para uma expectativa otimista, alimentada pelo estudo do Bird sobre o papel que China, Índia e Brasil poderão ocupar na economia mundial até 2030, na próxima onda de globalização. Os empecilhos para o crescimento do País citados no documento reforçam o que todos sabemos de cor: taxa de juros acima dos 10%, provocando o fortalecimento do real e a conseqüente restrição às exportações; alta carga tributária e burocracia que desestimulam investimentos, além de uma agenda de reformas que teima em não avançar.
Apesar desses percalços, a tendência é que o mercado de capitais venha a se expandir cada vez mais nesse cenário de consolidação crescente das instituições, ampliando sua participação na economia. Neste ano, R$ 120 bilhões foram transferidos para o setor produtivo, R$ 50 bilhões a mais que no ano passado e o dobro do orçamento do BNDES para 2006.
Com tantas notícias positivas, uma em especial mexeu e ainda mexerá profundamente com o mercado: a decisão histórica da Bovespa, da Bolsa de Mercadorias & Futuros e suas respectivas Clearings de iniciar os estudos para as suas respectivas desmutualizações. A Bovespa contratou o banco de investimento Goldman Sachs, e a BM&F, o Grupo Rothschild, para assessorá-las nesse processo que já atingiu 70% das principais bolsas do mundo, entre elas Londres, Euronext, Frankfurt, CME, Nymex, Nasdaq e Nyse.
Solução para os desafios da globalização do mercado, a desmutualização trará o aprimoramento do negócio, da estratégia e dos padrões de governança das bolsas brasileiras. Ao trazerem mais transparência, eficiência e segurança para suas operações, as bolsas certamente atrairão investidores, agregando valor às instituições, em um saudável círculo virtuoso. Apenas o anúncio do início do processo já provocou uma valorização nos títulos da Bovespa e da BM&F, que poderão repetir o desempenho de suas congêneres internacionais.
A Bovespa passará por diversas mudanças estruturais em função do processo de desmutualização, como a reestruturação societária, novas regras de acesso, alterações na governança, na supervisão de mercado e na auto-regulação, além dos impactos sobre a gestão da empresa, contabilidade, revisão dos contratos e relação com órgãos reguladores. A conclusão desse processo exigirá ainda a aprovação das autoridades competentes, como a CVM, e dos membros da Bovespa e acionistas da CBLC, mas não há dúvida de que este é o caminho que devemos seguir, para dar continuidade a um trabalho tão fundamental para o desenvolvimento do mercado de capitais e do País.
Entrevista: Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira
“Parcerias são fundamentais para o sucesso de políticas além das fronteiras de cada estado”
À frente do Sistema Firjan, composto por cinco instituições* que trabalham de forma integrada para o desenvolvimento da indústria fluminense, Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira representa 103 sindicatos e 16 mil empresas fluminenses e conhece como poucos as dificuldades enfrentadas pelo setor. Neste ano, a Firjan deu mais uma contribuição para o Estado ao lançar o Mapa do Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro, um detalhado planejamento de ações cujo horizonte é o ano de 2015, e que para sua elaboração reuniu, em dezenas de reuniões, mais de mil empresários, especialistas de diversas áreas e técnicos do Sistema Firjan. “O Mapa é um poderoso instrumento, que exige de todos nós um trabalho árduo para que suas idéias se transformem em resultado”, diz Eduardo Eugênio na apresentação do documento. Nesta entrevista, ele fala do Mapa, da expectativa com o novo Governo e algumas propostas para o Rio de Janeiro.
- O que a Firjan espera do novo governador? Quais os maiores desafios que ele tem a enfrentar em sua opinião?
- O governo do Estado do Rio de Janeiro necessita implantar um sistema de gestão eficiente, de forma a racionalizar seus gastos e ter condições para promover investimentos. É preciso ter iniciativas que permitam a maior transparência possível na gestão dos recursos públicos, para que se saiba realmente o que é feito com os tributos recolhidos e com as outras fontes de receita do Estado, como os royalties do petróleo. Ao se controlar os gastos e diminuir os desperdícios, o governo estadual terá condições de investir, principalmente, em educação, saúde, habitação, infra-estrutura e na área da segurança.
- Qual foi a receptividade do governador eleito em relação ao “Mapa do Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro”?
- O governador eleito tomou a decisão de conhecer em profundidade o Mapa do Desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro, que é um planejamento de ações que visam melhorar a qualidade de vida dos fluminenses. Esse planejamento foi realizado por mais de mil pessoas, entre empresários, acadêmicos e técnicos, sob a coordenação do Sistema Firjan. O trabalho começou em novembro de 2005 e foi lançado publicamente em agosto deste ano, em cerimônia no Teatro Municipal que contou com a presença de todos os candidatos ao governo, inclusive de Sérgio Cabral. Depois de eleito, o novo governador veio à Firjan e, em companhia de futuros secretários, recebeu dos grupos que trabalharam no Mapa o detalhamento de propostas que já podem começar a ser implantadas no início do próximo ano, com destaque para as áreas que já me referi, que são educação, saúde, habitação, infra-estrutura, segurança e também em questões ambientais.
- O sr. acha viável criar parcerias com os estados vizinhos, visando o desenvolvimento em bloco, tais como as que estão sendo esboçadas na área de segurança pelos governadores eleitos?
Acredito que essas parcerias são fundamentais para o sucesso de políticas que vão além das fronteiras de cada estado. No Sistema Firjan, entendemos que não é possível ter o desenvolvimento das empresas sem que haja o desenvolvimento da sociedade em que elas estão implantadas. O bem-estar empresarial necessita do bem-estar social. Essa visão integrada pode ser aplicada em escalas maiores. Não há como ter apenas um estado lutando para solucionar problemas complexos, como os da área de segurança, por exemplo. É preciso ações de âmbito regional e mesmo nacional, para que a possível solução local de um problema não acabe se tornando uma fonte para um novo desequilíbrio federal.
- Como o fortalecimento dos Arranjos Produtivos Locais poderá ajudar na redução da pobreza na Região Noroeste do Estado?
- Países como a Itália e a Espanha devem muito de seu desenvolvimento à consolidação do potencial de micro e pequenas empresas, que se organizam em Arranjos Produtivos Locais. Esses são centros de produção que aproveitam a vocação econômica regional, buscam ultrapassar barreiras e criar soluções para o máximo crescimento possível, o que acaba por trazer benefícios diretos à população, na forma de empregos e geração de renda. No Estado do Rio, o Sistema Firjan é indutor do crescimento de vários APLs, com o objetivo de dinamizar a economia dos municípios. No Noroeste fluminense isso ocorre principalmente nos setores de produção de rochas ornamentais e no pólo de fruticultura irrigada.
- De que forma os agentes do mercado de capitais poderão dar sua contribuição ao projeto de desenvolvimento do Estado traçado pelo Mapa?
- O Mapa do Desenvolvimento do Estado do Rio é um organismo cuja vida provém das pessoas que participam de seus grupos de discussão. Para que o Mapa se fortaleça e possa consolidar suas propostas é preciso que novos integrantes venham participar desse movimento. O primeiro passo é conhecer o conteúdo do trabalho e saber como se integrar aos grupos. Isso é possível na página do Sistema Firjan na internet (www.firjan.org.br).
(*)Firjan – Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, CIRJ – Centro Industrial do Rio de Janeiro, SESI – Serviço Social da Indústria, SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial e IEL – Instituto Euvaldo Lodi
Números do mercado
A seguir, os principais números do mercado de capitais ao longo do mês de novembro. O destaque vai para o recorde de 43.297 pontos do Ibovespa, alcançado em 11 de dezembro. Fonte: Bovespa
- O Ibovespa atingiu 43.297 pontos em 11/12, um novo recorde histórico de pontuação. Em novembro, a Bovespa registrou médias diárias de R$ 2,8 bilhões e 103.819 negócios, contra 2,5 bilhões e 93.778 negócios em outubro.
- O Home Broker registrou três novos recordes em novembro: média diária de volume, que alcançou R$ 404 milhões, ante R$ 317 milhões, em outubro; média diária de número de negócios, com 46.737, contra 38.579 no mês anterior; e participação no volume total da Bovespa, que ficou em 8,15%, ante 7,18%. A participação do Home Broker no número de negócios da Bolsa, em novembro, foi de 23,56% e 72.761 investidores colocaram ofertas no sistema, por meio de 53 corretoras. Em outubro, a participação no número de negócios foi de 21,50% e 65.797 investidores aplicaram por meio das mesmas 53 corretoras.
- A Bovespa listou 33 clubes de investimento em novembro, elevando para 377 o número de novos registros em 2006. Desde o lançamento do programa de popularização, em setembro de 2002, foram criados 1.321 clubes. No total, a Bovespa encerrou novembro com 1.598 clubes listados. O patrimônio líquido totalizou R$ 8,5 bilhões e o número de cotistas, 130.343, segundo dados de outubro.
Maiores altas (janeiro a novembro)
Estrela ON – 1019,2%
Sultepa PN – 781,8%
Melhor SO PN – 759,6%
Sultepa ON – 639,3%
Maiores baixas
F. Guimarães – -53,3%
Schlosser (PN) – -47,6%
Metal Iguaçu PN – - 43,1%
Gazola PN – -40,2%
Wiest PN – -38,4%


