Informativo

Informativo Sindicor-RJ Março/Abril 2007

Euforia põe em risco reformas estruturais

A rara combinação de cenários interno e externo favoráveis à economia tem beneficiado o País, mas o presidente do Sindicor-RJ, Jorge Salgado, lembra no artigo “Sem euforia” que o governo deve estar atento para não se iludir com a melhora em vários indicadores provocada pela revisão na metodologia para o cálculo do PIB brasileiro, feita pelo IBGE. “O Governo poderia iniciar um combate ao desperdício dos gastos públicos, para compensar a redução no superávit”, diz. “O que não pode é deixar-se levar pela euforia dos números positivos e, com a visão turvada, abrir mão das reformas (…), pois, todos sabemos, não há bons ventos que durem para sempre”, alerta Salgado.

Pan 2007 abrirá portas para novos negócios

Na reta final da preparação dos Jogos Pan-Americanos 2007, no Rio de Janeiro, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, concedeu uma entrevista ao Informativo Sindicor-RJ, na qual abordou a importância do evento, que deixará um legado para a cidade e o País, e não apenas para o setor esportivo. “Um evento bem feito e organizado abre as portas a novos negócios, além de deixar uma imagem positiva do país no exterior”, garante Nuzman.

Magliano participa de encontro com Ongs nos EUA

O presidente da Bovespa, Raymundo Magliano Filho, esteve nos Estados Unidos em abril, onde participou de 20 encontros com Ongs e outras entidades sócio-ambientais, para buscar subsídios para a eventual criação do Instituto Bovespa.

Magliano também participou de programação brasileira na Universidade de Harvard. (Mercado em ação – Página 4)

Sem euforia
Jorge Salgado

Os novos números da expansão da economia, revelados pela alteração na metodologia empregada pelo IBGE para o cálculo do PIB brasileiro dos últimos cinco anos, foram mais uma boa surpresa a se somar ao conjunto de notícias macroeconômicas positivas que fecharam o primeiro quadrimestre do ano. Inflação em declínio, juros em lenta mas continuada trajetória de queda, reservas de mais de US$ 120 bilhões e superávit comercial associados a um cenário externo bastante favorável deixam antever um bom ano para o crescimento mundial – e por que, não? – nacional.

O ritmo vigoroso da economia chinesa, a constatação de que a desaceleração da economia norte-americana está sendo suave e que a bolha imobiliária não é, afinal, tão grande assim, tranqüilizaram os investidores que voltaram a procurar as bolsas em todo o mundo, inclusive a Bovespa, que vem batendo recordes sucessivos, tendo superado a barreira dos 50 mil pontos.

A nova metodologia trouxe informações positivas, como a queda na relação dívida/PIB, de 50% para pouco mais de 44%. Mesmo com a decisão do governo de reduzir o superávit primário, este ainda é consistente o suficiente para permitir continuidade nesta trajetória, tornando o país um destino cada vez mais indicado para o ainda generoso fluxo de capitais mundial e aproximando-o do almejado investment grade.

Para compensar esse afrouxamento nas contas, o Governo poderia iniciar um combate ao desperdício dos gastos públicos, como os recentes aumentos dos salários dos deputados, os desvios de verbas e a construção de instalações públicas suntuosas, completamente desnecessárias.

Afinal, mesmo com a revisão feita pelo IBGE, o crescimento da economia brasileira nos últimos cinco anos manteve-se muito abaixo da média mundial e muitíssimo distante dos países emergentes, em especial dos demais integrantes do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Além disso, trouxe a confirmação de que a taxa de investimento continua baixa, 16,8%, incapaz de sustentar um crescimento em níveis mais altos. Em compensação, o recálculo mostrou que o consumo do governo em 2006 foi de 3,6% e não 2,1% como se pensava.

A Bovespa, refletindo o momento favorável, vem batendo recordes sucessivos de negociação, com média diária em abril de R$ 4,486 bilhões, após ter atingido R$ 3,493 bilhões em março. A superação da barreira dos 50 mil pontos ocorreu em um momento histórico, dez anos após a Bolsa ter atingido pela primeira vez os 10 mil pontos.

De lá para cá, a economia e o mercado evoluíram, o Brasil superou diversas crises, ganhou respeitabilidade mundial pela condução de sua política econômica, mas ainda falta ultrapassar os muitos obstáculos a um crescimento vigoroso.

Dentro desse raro panorama mundial, o que não pode é o governo deixar-se levar pela euforia dos números positivos e, com a visão turvada, abrir mão das reformas que tornarão o país mais competitivo, capaz de garantir crescimento sustentado mesmo em um cenário mais adverso, pois, todos sabemos, não há bons ventos que durem para sempre.

Entrevista: Carlos Arthur Nuzman
“Pan 2007 deixará legado para a sociedade como um todo”

A pouco mais de dois meses do início dos Jogos Pan-Americanos, o clima de expectativa cresce cada vez mais no Rio de Janeiro com os preparativos finais, como a realização de provas classificatórias para os atletas, a liberação extra de verbas para a segurança e a aceleração das obras para que tudo esteja perfeito em 13 de julho. Nesta entrevista, o ex-integrante da Seleção Brasileira masculina de vôlei nos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 1964, e presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, afirma que o Pan 2007 contribuirá decisivamente para que o Brasil pleiteie, com reais chances, uma candidatura olímpica em 2016. “Organizar e realizar bem os Jogos Pan-americanos servirá como um bom vestibular na luta pela sede olímpica”, afirma Nuzman.

- Quais os principais ganhos que os Jogos Pan-Americanos 2007 trarão para o Rio de Janeiro?

- Toda a organização dos Jogos Pan-americanos trabalha com o objetivo de produzir legado para o Rio de Janeiro e para o Brasil, não só no que se refere ao esporte mas à sociedade como um todo. Na verdade, um conjunto de legados. A começar pelo esportivo, pois estamos observando um incremento estrutural, como a importação de equipamentos, com base em convênios firmados com o Ministério do Esporte, com a construção de novas instalações esportivas e com o desenvolvimento natural que o esporte brasileiro terá a partir do Rio 2007. Além disso, há uma série de implicações sociais, culturais e urbanas, assim como ganhos em termos de infra-estrutura para a cidade. Isso sem falar na geração de empregos em vários setores ligados ao Rio 2007 e na qualificação da mão-de- obra, como a do setor de turismo, por exemplo. Outra área que deixará um legado imenso é a de segurança, a partir do treinamento de pessoal e da aquisição de novos equipamentos. É preciso perceber que um evento como os Jogos Pan-americanos projeta uma cidade e um país para o mundo todo. Então, um evento bem feito e organizado abre as portas para novos negócios, além de deixar uma imagem positiva do país no exterior.

- Como o COB poderá atuar para que as instalações construídas para os jogos não se transformem futuramente em “elefantes brancos”?

- Equipamentos esportivos de qualidade internacional como os que teremos serão utilizados pelos atletas do Rio e de todo o Brasil, seja para treinamentos ou competições. Muitos dos locais de treinamento serão requalificados e utilizados depois pela população. As obras que estão sendo finalizadas melhorarão a infra-estrutura da cidade e contribuirão para a melhoria da qualidade de vida do povo carioca. Tudo isso faz parte do grande legado que os Jogos Pan-americanos Rio 2007 deixarão para a cidade e para o país.

- Quais providências mais urgentes os governos e as instituições ligadas ao esporte precisam tomar para que o Brasil tenha reais chances ao se candidatar a sediar os Jogos Olímpicos num futuro próximo?

- Estamos estudando todos os aspectos da organização dos Jogos Pan-Americanos e utilizaremos as conclusões no processo de postulação de candidatura aos Jogos Olímpicos de 2016. Um acontecimento desses modifica a imagem internacional e faz crescer o potencial esportivo do país, o que certamente ajudará na candidatura olímpica.

- Que problemas o sr. detectou até agora na preparação do Pan 2007 que deverão ser sanados, caso o Brasil venha a se tornar sede das Olimpíadas?

- Primeiramente devemos perceber as diferenças que existem entre organizar os Jogos Pan-americanos e os Jogos Olímpicos. São duas realidades distintas. O Caderno de Encargos do COI é muito rigoroso, assim como as cidades candidatas são fortíssimas. Então, temos que nos preocupar em responder muito bem todos os 19 itens do Caderno de Encargos do COI, entre eles Transportes, Hospedagem, Segurança, Instalações Esportivas e Garantias Financeiras por parte dos Governos. Organizar e realizar bem os Jogos Pan-americanos servirá como um bom vestibular na luta pela sede olímpica, porém a realidade dos dois eventos é diferente.

- Quais esportes olímpicos se ressentem mais da falta de apoio?

- Precisamos ver o esporte brasileiro como um todo. Em termos de financiamento ainda estamos longe do ideal, mas estamos evoluindo. Atualmente o esporte brasileiro é atendido em cerca de um terço de suas necessidades financeiras através da Lei Agnelo/Piva. Sancionada em 2001, a Lei Agnelo/Piva estabelece que 2% do prêmio das loterias federais do país sejam repassados ao Comitê Olímpico Brasileiro (85%) e ao Comitê Paraolímpico Brasileiro (15%). Do montante destinado ao COB, 10% devem ser investidos no esporte escolar e 5% no esporte universitário. Porém, a sanção da Lei de Incentivos Fiscais ao Esporte, no fim do ano passado, auxiliará muito o esporte em seus diferentes níveis de atuação, sobretudo o de base, mais ligado às questões sociais. Essa lei, que passa por regulamentação no Ministério do Esporte, certamente ajudará a atrair investimentos privados para o esporte. Acredito que com os investimentos já existentes, inclusive com o apoio de grandes empresas estatais como a Caixa (atletismo), os Correios (desportos aquáticos), o Banco do Brasil (voleibol) e a Petrobras (handebol e COB), o esporte brasileiro ainda tenha muito o que oferecer às empresas em geral, seja pelo lado institucional seja pela associação das marcas a uma atividade saudável e que ajuda a integrar a sociedade.

Mercado em ação

- Raymundo Magliano Filho esteve nos EUA, em abril, para colher dados sobre Responsabilidade Sócio-Ambiental e buscar subsídios para a eventual criação do Instituto Bovespa. Ao todo, foram 20 encontros com Ongs e “think tanks” da Costa Leste (Nova York, Boston e Washington), além de visita à Universidade de Harvard, onde participou de programação brasileira, organizada pelo brasilianista Kenneth Maxwell.

- O Sindicor-RJ adotou um novo nome, mais reduzido: Sindicato das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários do Rio de Janeiro.

- Em 09/03, a Diretoria do Sindicor-RJ promoveu um almoço para o presidente da Apimec-Rio, Luís Fernando Lopes Filho, e o presidente da Apimec Nacional, Álvaro Bandeira.

- O advogado Marcus Frederico Donnici Sion presta serviços jurídicos na área trabalhista aos associados do Sindicor-RJ.

- O Conselho de Administração da Bovespa realizou reunião-almoço com o presidente da Nossa Caixa, Milton Luiz de Melo Santos, em 24/04.

- Em leilão da Bovespa, realizado em 16/04, foram negociados seis títulos patrimoniais, no valor de R$ 6,331 bilhões cada.

- A média diária de negociação da Bovespa em março foi de R$ 3,493 bilhões, tendo alcançado em abril R$ 4,486 bilhões.

- A Bolsa de Valores de São Paulo atingiu em 23/04 valor de mercado de R$ 1,752 trilhões ou US$ 863,9 bilhões.

- A Bovespa alcançou recorde de 50.597 pontos em 04/05*.

- O Home Broker alcançou novos recordes em abril: volume mensal de R$ 10,7 bilhões; 1,3 milhão de negócios realizados e 106.686 investidores.

- O presidente da BM&F, Manoel Félix Cintra Neto, receberá, em 24/05, em Nova York, o premio Homem do Ano, pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.

* data de fechamento desta edição

Incluir no expediente:

Sindicato das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários do Rio de Janeiro

tel.: (21) 2507-7171

www.sindicorrj.com.br

sindicor-rj@sindicorrj.com.br


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