Chamadas
Reformas ficam esquecidas em meio a escândalos
A economia já não oscila ao sabor dos escândalos no Congresso, como demonstram os sucessivos recordes da Bolsa e a melhora da percepção internacional do país, na iminência de atingir o investment grade. Mas as reformas que poderiam dar mais eficiência e atratividade ao Brasil têm sido deixadas de lado, lembra Jorge Salgado. “Esta janela de oportunidade não está sendo devidamente aproveitada, porque temos uma série de entraves legislativos que afetam o Custo Brasil, reduzindo a competitividade de nossa economia (…). O país precisa urgentemente de uma espécie de mutirão que traga à tona os temas que realmente façam a diferença na economia”, afirma em seu artigo “Paralisia indesculpável”.
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Mercado brasileiro continua atraente
O presidente da Apimec Nacional, Álvaro Bandeira, avalia em entrevista ao Informativo Sindicor-RJ a alta prolongada das bolsas de valores, ressaltando que os fundamentos econômicos e o preço das empresas tornam o país uma ótima opção para o capital externo. “As ações brasileiras continuam muito atraentes em relação a outros mercados, pois os preços relativos entre 2002 e 2007 praticamente não se movimentaram”, diz. Eleito para o biênio 2007-2008, Álvaro Bandeira comanda uma instituição criada há quase 10 anos com o objetivo de congregar todas as Apimecs Regionais e promover estudos e pesquisas visando o desenvolvimento do mercado de capitais e a capacitação dos profissionais da área.
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Boletim mostra evolução da Bovespa desde 2000
A Bovespa, que fechou em junho com 54.392 pontos em junho, divulgou um boletim com informações consolidadas desde janeiro de 2000, que mostra o crescimento do mercado de capitais no período. O volume médio diário de negócios evoluiu de pouco mais de R$ 1 bilhão, em janeiro de 2000, para R$ 3,97 bilhões em maio de 2007.
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Paralisia indesculpável
Jorge Salgado
A sucessão de escândalos que atinge o Congresso, atualmente concentrados no Senado, mostra, mais uma vez, que a política macroeconômica conduzida há anos com seriedade é capaz de blindar a economia do país de forma satisfatória, sem indesejáveis solavancos.
No entanto, se as denúncias constantes na Câmara e no Senado já não trazem a instabilidade de outrora, retardam uma série de medidas que serviriam para dinamizar o crescimento do país. As reformas tributária, trabalhista e da Previdência desapareceram da pauta de deputados e senadores, que não se sensibilizam sequer com a reforma política, perpetuando uma legislação equivocada por temerem mexer em privilégios antigos.
A energia de boa parte do Congresso foi ainda desviada para as inúmeras CPIs, que se tornaram apenas vitrine para alguns políticos e pouco contribuem para esclarecer os objetivos iniciais para as quais foram criadas. É alto o custo da inércia de um Parlamento que só parece preocupado com o ganho ou prejuízo político que denúncias poderão trazer para este ou aquele grupo, e que se esquece que recebeu o voto dos cidadãos para uma tarefa bem mais nobre que esta.
O Brasil está deixando passar um momento precioso, de abundância de liquidez e investidores ávidos por aplicar seus capitais em economias emergentes e dinâmicas. Esta janela de oportunidade não está sendo devidamente aproveitada, porque temos uma série de entraves legislativos que elevam o Custo Brasil, reduzindo a competitividade de nossa economia.
É preciso que os deputados e senadores comprometidos com o desenvolvimento do país encontrem uma solução que não só promova o desbloqueio da pauta de votações como possibilite o encaminhamento de matérias que dinamizem a economia, que pode e deveria crescer bem mais do que os 4.5% projetados para este ano.
O país precisa urgentemente de uma espécie de mutirão cívico que traga à tona os temas que realmente façam a diferença na economia, desatando nós para alavancar o crescimento travado por legislações caquéticas, burocracia, tributação excessiva e complexa que só contribuem para aumentar a ineficiência, a corrupção e o Custo Brasil.
O Congresso deve ainda cobrar do Governo austeridade nos gastos públicos (especialmente nos que dizem respeito ao aumento da máquina do Estado) e agilidade nos investimentos que tornem a economia mais competitiva. Precisa ousar e tentar trazer para o país soluções consagradas em outros países, como a simplificação na legislação tributária e a rapidez na abertura de empresas, só para citar dois singelos exemplos.
Naturalmente que os escândalos devem ser apurados. O que é inaceitável é que Câmara e Senado Federal fiquem completamente paralisados por conta de questões de somenos importância e o Brasil acabe por perder esse raro momento de prosperidade mundial para dar um salto de crescimento. Afinal, os representantes das duas Casas receberam o voto dos cidadãos para ajudar a promover o aprimoramento das instituições nacionais e o conseqüente desenvolvimento do País.
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Entrevista: Álvaro Bandeira
“País é boa alternativa para estrangeiros”
A alta das bolsas de valores em todo o mundo, puxada por uma combinação benéfica de fatores internos e externos, como uma política macroeconômica consistente, capitalização histórica das empresas, crescimento econômico mundial, juros internacionais baixos e extrema liquidez, ainda vai persistir por algum tempo, segundo Álvaro Bandeira, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais – Apimec Nacional. “A liquidez internacional é forte e o Brasil encontra-se atualmente rumo ao investment grade. Isso, somado aos preços atraentes, torna o país uma boa alternativa para os investidores estrangeiros”. Álvaro Bandeira alerta, no entanto, para as distorções que um mercado em alta há tanto tempo pode provocar no preço de algumas companhias. “Sempre aparecem empresas que não merecem o preço que exibem”, diz.
- Qual a avaliação que o sr. faz hoje do mercado de capitais?
- O crescimento econômico global dos últimos cinco anos, com a recuperação do Japão, o crescimento da China, Índia e mesmo da Europa (que vem apresentando índices acima de sua média histórica) gerou empresas bem capitalizadas e liquidez muito elevada, o que aumenta a propensão ao risco do investidor. Esse quadro, reforçado pelas taxas de juros que, historicamente, ainda estão baixas em todo o mundo, favorece essa ida às bolsas, até mesmo no Brasil, onde temos os juros em trajetória de queda.
- O sr. considera consistente a alta das Bolsas?
- Não tenho a menor dúvida, pois as empresas estão capitalizadas como nunca e melhoraram sua competitividade. As ações brasileiras também continuam muito atraentes em relação a outros mercados, pois os preços relativos entre 2002 e 2007 praticamente não se movimentaram. Além disso, temos os fundamentos da economia melhorando progressivamente, nível de endividamento e inflação em queda… Claro que isso não significa que não se possa melhorá-los ainda mais.
- A capitalização das empresas via mercado ainda tem fôlego?
- Certamente. A liquidez internacional é forte e o Brasil encontra-se atualmente indo rumo ao investment grade. Isso, somado aos preços atraentes, torna o país uma boa alternativa para os investidores estrangeiros. Mas é sempre bom lembrar que o investidor deve estudar muito bem antes de montar sua carteira, pois num mercado que permanece em alta há cerca de quatro, cinco anos sempre aparecem empresas que não merecem o preço que exibem. É certo também que vai haver um momento em que haverá uma invertida no mercado, mas hoje não há nada no radar que seja um risco muito considerável.
- A adoção das boas práticas de governança corporativa vem sendo feita com seriedade pelas empresas?
- Não tenho dúvida. Governança corporativa é um processo que exige permanente aprimoramento. As grandes empresas já aderiram às boas práticas há muito tempo e vão além do que determina a lei; e as que estão entrando no Novo Mercado já começaram sob as novas regras, o que é uma garantia para o investidor. A tecnologia também tem ajudado muito o acionista a se informar sobre as companhias, pois ficou fácil o acesso aos sites, conference calls, apresentações, relatórios. É claro que com a abertura de capital algumas empresas poderão no futuro sumir do mapa, mas hoje elas se preocupam mais com o acionista e em agregar valor às suas ações. Infelizmente, existem algumas companhias que introduzem em seus contratos poison pils (“pílulas de veneno”) para dificultar a tomada de controle hostil, mas de modo geral as empresas mantêm regras claras e seguras para o minoritário.
- Quais os seus planos para a Apimec no biênio 2007-2008?
- A Apimec vai continuar fazendo o seu papel, que é treinar, fornecer conhecimento e interagir com os grandes públicos do mercado de capitais. A associação, como única certificadora de analistas, sabe que precisa atuar de forma rigorosa no aprimoramento dos profissionais para ajudar o mercado a se desenvolver. A informação e a educação são as nossas aliadas nesse processo.
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Mercado em ação
- O presidente da Bovespa, Raymundo Magliano Filho, lançou em 29 de maio a Bolsa de Valores Sociais e Ambientais (BVS&A). A BVS&A vai captar recursos financeiros para projetos de ONGs brasileiras voltados ao meio ambiente, com foco em cinco áreas: educação para sustentabiliade, mudanças climáticas, recursos hídricos, biodiversidade e florestas, e cidades sustentáveis.
- De setembro de 2006, quando foi inaugurado, a 10 de junho, o Espaço Bovespa recebeu a visita de 100.277 pessoas.
- Dia 12 de junho a Bovespa festejou o Dia da Responsabilidade Socioambiental com a reversão dos emolumentos gerados nas ofertas de compra de ações durante o pregão para os projetos listados na BVS&A.
Números do mercado
A Bovespa fechou em 54.392 pontos em junho, contra 52.268 pontos em maio, com volume médio de negócios de R$ 5,260 bilhões em junho, frente a R$ 3,969 bilhões no mês anterior. A Bovespa divulgou um boletim com informações consolidadas desde janeiro de 2000. Abaixo, um resumo dos principais pontos abordados:
- O volume médio diário saiu de pouco mais de R$ 1 bilhão em janeiro de 2000 para R$ 5,260 bilhões em maio de 2007;
- A capitalização de mercado em janeiro de 2000 era de R$ 4 bilhões, tendo atingido R$ 1,90 trilhão em abril de 2007;
- O número de contas individuais de Custódia*, que em 2000 totalizava 86.364 (76.607 Pessoas Físicas e 9.757 Pessoas Jurídicas) alcançou em abril de 2007 258.068 investidores (243.036 PF e 15.032 PJ);
- O volume financeiro do Home Broker também cresceu fortemente nos últimos cinco anos, tendo elevado sua participação no número de negócios de 5,86%, em agosto de 2002, para 27,24%, em maio deste ano.
A seguir, a rentabilidade dos índices Bovespa comparada aos juros praticados pelo mercado.



