Informativo

Informativo Sindicor-RJ Maio/Junho 2006

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Salgado recomenda mais seriedade para superar crise

O mercado brasileiro, exageradamente atingido pela volatividade no momento mais imediato da crise deflagrada em fins de maio, tem tudo para rapidamente se recuperar, desde que o governo volte a fazer o seu dever de casa, acredita o presidente do Sindicor-RJ, Jorge Salgado. “As próximas semanas serão decisivas para uma definição maior, tanto do cenário mundial quanto do nacional. Se a economia americana não emitir sinais negativos e o FED entender que os juros já estão de bom tamanho, a tendência é os mercados se acalmarem e, pelo menos, parte dos investimentos voltarem para os mercados emergentes. Internamente, é preciso que o governo sinalize que não negligenciará o ajuste fiscal (…)”, afirma em seu artigo “Momento para cautela e austeridade”.

Monforte faz balanço dos 10 anos do IBGC

Há pouco mais de dez anos, quando foi criado o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, poucos poderiam imaginar que companhias do porte de uma Embraer, que acaba de aderir ao Novo Mercado, e de tantas outras iriam adotar as práticas defendidas pelo órgão, criado com o objetivo de contribuir para otimizar o conceito de governança corporativa nas empresas do país. O presidente do IBGC, José Guilherme Monforte, fala ao Informativo Sindicor-RJ sobre o enorme esforço, ao longo desses anos, para divulgar as melhores práticas de governança. O sucesso dessa empreitada pode ser medido pelo crescimento de seus associados: originalmente 15, hoje mais de 600 pertencem aos quadros do IBGC e estão aptos a conduzir suas empresas de acordo com esta nova mentalidade empresarial.

Simulador de operações prepara futuro cliente

O Superintendente Geral da Comissão Nacional de Bolsas, Leonardo Faccini Tavares Bastos, recomenda a quem quiser iniciar-se no mercado de capitais acessar o FolhaInvest em Ação, simulador de operações online que funciona como um home broker. “O serviço é oferecido gratuitamente aos internautas pelo jornal “Folha de S. Paulo” em parceria com a Bovespa e o apoio da CNB e da Enfoque Gráfico, entre outros”, explica em seu artigo “Preparando o futuro cliente”.

Momento para cautela e austeridade
Jorge Salgado

O movimento de queda nos mercados internacionais, deflagrado em fins de maio pela sinalização do FED de que estaria em curso uma política monetária mais restritiva, já há algum tempo estava sendo aguardado por especialistas, após um longo período de crescimento mundial, abundância de capitais e forte valorização dos ativos, aí incluídos bolsa e commodities.

Por que o espanto, então? Os indicadores americanos não tiveram, para o bem e para o mal, nenhuma alteração drástica, mas quando ao conhecido quadro de endividamento crescente, risco de crise imobiliária e provável menor crescimento mundial somam-se a falta de habilidade do presidente do FED, Ben Bernancke, para conquistar a confiança do mercado internacional, está montado o cenário para a incerteza. E a corrida dos investidores para aplicações em mercados “mais seguros” se torna uma conseqüência inevitável.

O mercado brasileiro, exageradamente atingido pela volatividade no momento mais imediato por ser entre os emergentes o de maior liquidez, tem tudo para rapidamente se recuperar, pois as bases da economia continuam sólidas, com juros e inflação em queda, balança comercial positiva, superávit primário acima das metas, crescimento sendo revisto para cima… Ou não?

Em meio às boas novas chegam também notícias preocupantes de forte aumento das despesas do governo neste ano eleitoral, o que além de passar um clima de insegurança para os agentes do mercado sugere que o compromisso com o ajuste fiscal acabará ficando em segundo plano.

As próximas semanas serão decisivas para uma definição maior, tanto do cenário mundial quanto do nacional. Se a economia americana não emitir sinais negativos e o FED entender que os juros já estão de bom tamanho, a tendência é os mercados se acalmarem e, pelo menos, parte dos investimentos voltarem para os mercados emergentes. Internamente, é preciso que o governo sinalize que não negligenciará o ajuste fiscal e que desfaça, rapidamente, a má impressão que vem causando ao mercado nos últimos meses, ao realizar truques para ocultar os gastos que vêm fazendo.

A percepção do Risco Brasil vai melhorar se o excesso de arrecadação for usado para investimentos ou reforçar o superávit, reduzindo a dívida em relação ao PIB e, conseqüentemente, os juros, aproveitando a avaliação que o Copom fez em sua última ata, quando sinalizou que as taxas continuarão caindo. O BC também acredita que a crise seja passageira, que os mercados encontrarão seu novo ponto de equilíbrio e não faltará dinheiro no mercado internacional para financiar a economia brasileira. Certamente, mas desde que a palavra austeridade não seja riscada da agenda do governo.

Entrevista: José Guilherme Monforte
Dez anos de uma nova mentalidade empresarial

Em 5 de junho último, foi realizada a cerimônia que marcou a adesão da Embraer, uma das maiores e mais competitivas fabricantes de aviões do mundo, ao Novo Mercado da Bovespa, elevando para 78 o número de companhias que implantaram as boas práticas da governança corporativa e participam dos segmentos especiais da Bovespa, compreendidos pelo Novo Mercado, com 30 empresas, o Nível 2, com 13, e o Nível 1, com 35. Há pouco mais de dez anos, quando foi criado o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, poucos poderiam imaginar que empresas do porte de uma Embraer e de tantas outras iriam aderir às práticas defendidas pelo órgão, criado com o objetivo de contribuir para otimizar o conceito de governança corporativa nas empresas do país. “O IBGC cresceu muito, treinou muita gente e criou condições para que as empresas adotassem a governança como ferramenta útil na valorização de seu patrimônio, no acesso a capitais, e na busca de sua perenidade”, diz nesta entrevista o presidente do IBGC, José Guilherme Monforte. Ao longo desses anos, a evolução do mercado e da sociedade brasileira possibilitou que aos 15 associados iniciais tenham se agregado centenas de novos nomes que hoje somam mais de 600 pessoas informadas sobre as boas práticas de governança corporativa e que dispõem das ferramentas adequadas para conduzir suas empresas de acordo com esta nova mentalidade.

- Poderia fazer um balanço dos 10 anos de criação do IBGC?

- Os últimos 10 anos do IBGC foram caracterizados por um enorme esforço em divulgar as melhores práticas de governança. O IBGC cresceu muito, treinou muita gente e criou condições para que as empresas adotassem a governança como ferramenta útil na valorização de seu patrimônio, no acesso a capitais, e na busca de sua perenidade.

- Quais os principais entraves para a disseminação das práticas da boa governança corporativa no Brasil?

- A compreensão de que o modelo brasileiro deveria incorporar a realidade da existência de acionistas controladores foi uma primeira barreira a vencer. A necessidade de evolução da lei das sociedades anônimas e o nosso mercado de capitais ainda não totalmente desenvolvido, foram outros aspectos importantes.

- A cultura da governança corporativa está sendo disseminada também entre os pequenos e médios empresários? De que forma?

Gradualmente temos visto o interesse desses empresários crescer, através de sua crescente participação nos cursos de formação do IBGC. A chegada do Bovespa Mais (1), com regras rígidas sobre o padrão de governança, deve também ajudar.

- É possível estimar o potencial de empresas brasileiras aptas a integrar o Novo Mercado através da adoção de práticas de governança corporativa?

- Praticamente todas as empresas listadas na bolsa são candidatas. Ao verem que as empresas do novo mercado têm custos de capital mais barato, certamente aderirão. Nos novos IPOs (2), praticamente todas foram para o novo mercado, e essa tendência deve continuar.

- Qual o estágio de avanço da governança corporativa no exterior?

- No exterior o avanço não é linear. Vários países emergentes estão fazendo um grande esforço para consolidar e divulgar as boas práticas. Na Europa há importantes avanços nos países da comunidade. Nos EUA, após a crise do final da década de 90, início dos 2000, surgiu a Sarbennes-Oxley e há um foco muito forte na melhoria das práticas, com mobilização importante de investidores institucionais. O ciclo de desgoverno das corporações está cedendo lugar a uma era de maior foco na governança.

Notas do editor:

(1)Bovespa Mais – programa cujo objetivo principal é angariar ações de companhias com perspectiva de crescimento, comprometidas com a ampliação de sua base societária e com as melhores práticas de governança corporativa, mas cujas ações ainda não atingiram a liquidez compatível com os principais segmentos da Bovespa.

(2) IPO – Initial Public Offering – sigla em inglês que significa primeira oferta pública.

Preparando o futuro cliente
Leonardo Faccini Tavares Bastos*

Que corretor nunca ouviu esse comentário: “Queria investir nesse seu negócio de ações, mas não entendo nada”. Ou que queria ensinar ao filho, mas não tem tempo, jeito ou acha que só a prática funciona. Há uma resposta útil e mutuamente proveitosa para uma situação dessas. Trata-se de recomendar a participação no FolhaInvest em Ação, simulador de operações online que funciona como um verdadeiro Home Broker. O serviço é oferecido gratuitamente aos internautas pelo jornal “Folha de S. Paulo”, em parceria com a Bovespa – que fornece as cotações eletronicamente – e o apoio da Comissão Nacional de Bolsas (CNB) e da Enfoque Gráfico, entre outros.

Cada participante recebe uma carteira fictícia com R$ 100 mil mais ações de 15 empresas, recursos que poderá aplicar livremente em outras ações, CDBs e caderneta de poupança. Permite até ordens a mercado, limitadas e de start/stop. Quem obtiver a melhor rentabilidade no ano ganha uma viagem com acompanhante à Costa do Sauípe, e os vencedores semestrais de cinco regiões brasileiras recebem passagens com estada para a cerimônia de entrega dos prêmios, que incluem uma assinatura da “Enfoque” e uma calculadora HP 12-C, oferecida pela CNB. A consulta à posição no ranking, ao histórico de ordens e a informações fundamentalistas pode ser efetuada a qualquer momento, assim como a inscrição.

No ciclo de 2005, o FolhaInvest acolheu uma média de 410 mil operações por mês, oriundas de 105 mil participantes, dos quais 45% com idade entre 16 e 25 anos. Quem quiser usar essa semente grátis, basta recomendar o site http://emacao.folha.uol.com.br.

(*) Superintendente Geral da Comissão Nacional de Bolsas

Números do Mercado

A seguir, alguns números do mercado de capitais ao longo do mês de maio. O Ibovespa encerrou o mês com queda de 9,5%, a 36.530 pontos. O destaque vai para o recorde de acessos ao Home Broker, que chegou a 74.098 no mês. Fonte: Bovespa.

- Em maio, o número de acessos ao Home Broker passou para 74.098, frente os 57.939 de abril, uma nova máxima histórica do segmento, que representou 22,60% do total de negócios da Bovespa, contra os 21,31% no mesmo período. As médias diárias de volume financeiro, de R$ 350,5 milhões, e do número de negócios, 42.687, ante R$ 268,9 milhões e 34.100, respectivamente, em abril, também foram recorde. O valor médio das operações do serviço oferecido por 52 corretoras aumentou para R$ 8,2 mil, enquanto no mês anterior havia sido de R$ 7,8 mil.

- O Ibovespa encerrou o mês com queda de 9,5%, a 36.530 pontos O volume médio de negócios em maio ficou em 2.960,8 milhões, frente a 2.525,9 milhões em abril, com número de negócios médio diário de 97.650, contra 83.116 em igual período comparado.

- A Bovespa listou 39 clubes de investimento em maio, elevando para 190 o número de novos registros em 2006. Desde o lançamento do programa de popularização, em setembro de 2002, foram criados 1.134 clubes. No total, a Bovespa lista 1.463 clubes até 31 de maio.

Sindicor-RJ em ação

O Sindicor-RJ prestará uma homenagem a Sérgio Darcy, ex-chefe do Departamento de Normas do Sistema Financeiro do BC, durante almoço no Clube Americano, em 23/06. Representantes da CVM, Cetip e das principais corretoras já confirmaram presença.

Estão abertas as inscrições para o Curso de Preparação de Agente Autônomo, parceria entre o Sindicor-RJ e a Ancor, de 01/08 a 24/08, de 2a a 5a feiras, das 18h15 às 21h15. Uma outra turma, aos sábados, das 9h às 18h, poderá ser formada, caso atinja quorum mínimo de inscrições. A próxima prova de habilitação de agentes será em 27/08. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (21) 2507-7171, com Walnea Bueno.

Maiores altas da Bovespa

Janeiro a maio

Caua ON – 533,3%

Caua PN – 412,9%

Cobransma PN – 399,9%

Varig Transp. PN – 299,9%

Ienergia PNA – 293,7%

Maiores baixas

Janeiro a maio

Metal Iguaçu PN – (-) 52,0%

Com tax PN – (-) 40,9%

Yara Brasil PN – (-) 39,5%

UOL PN – (-) 39,0%

Gazola PN – (-) – 38,8%


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