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Desmutualização elevará padrão das corretoras
A abertura de capital da Bovespa, BM&F e de suas clearings, prevista para estar concluída no próximo ano, segue uma tendência internacional que já atingiu 70% das principais bolsas do mundo. Jorge Salgado comenta em seu artigo “Desmutualização aproximará Brasil dos grandes mercados” este novo marco, que permitirá às bolsas competirem em pé de igualdade com seus pares.
“As bolsas brasileiras não poderiam ficar à margem dessa realidade, sob pena de não conseguirem acompanhar o nível de eficiência exigido pela globalização e as permanentes mudanças tecnológicas, que requerem recursos cada vez mais expressivos”. (Página 2)
Plöger: incentivos tornarão mercado mais atrativo
O presidente da Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), Alfried Plöger, conhece muito bem as necessidades do empresariado nacional. Afinal, comanda uma instituição que reúne mais de 150 representantes dos setores industrial, comercial, agrícola, mineral, financeiro e de serviços, dentre os quais estão as mais importantes empresas do país. Em entrevista ao Informativo Sindicor-RJ, o empresário do setor gráfico (Companhia Melhoramentos de São Paulo) aborda os problemas que dificultam o crescimento do país e espera que o próximo governo mantenha a estabilidade da economia, reduza os juros, invista em educação e gere novos instrumentos para tornar o mercado de capitais mais atrativo. “Hoje, por exemplo, há uma avalanche de empresas de construção civil desejando abrir o capital, porque foram criados incentivos para este setor se capitalizar”, diz. (Página 3)
PQO vai preparar instituições para globalização
A Bolsa de Mercadorias & Futuros iniciou em 1o de julho a implantação do Plano de Incentivos à Qualificação Operacional das Corretoras, para estimular a adesão ao Programa de Qualificação das Corretoras (PQO), que visa preparar as instituições para os desafios que surgirão com a desmutualização da Bovespa e da BM&F e a internacionalização dos mercados. (Página 4)
Desmutualização aproximará Brasil dos grandes mercados
Jorge Salgado
Com prazo previsto de conclusão para 2007, o processo de abertura de capital da Bovespa (a maior bolsa de valores da América Latina), da BM&F (quinta maior bolsa de derivativos do mundo) e de suas clearings será um marco para o mercado de capitais brasileiro. A decisão de levar para dentro de casa a filosofia apregoada para as empresas demonstra a maturidade e a excelência conquistadas nos últimos anos pelas duas bolsas que, certamente, transformarão suas ações em cobiçados objetos de desejo de qualquer investidor.
A tendência mundial de desmutualização, que já atingiu 70% das principais bolsas do mundo (entre elas Londres, Euronext, Frankfurt, as pioneiras Suécia e Austrália, Canadá, Hong Kong, Cingapura, Reino Unido, além das americanas CME, Nymex, Nasdaq e Nyse), trouxe um rápido e forte aumento de competitividade ao mercado. As bolsas brasileiras não poderiam ficar à margem dessa realidade, sob pena de não conseguirem acompanhar o nível de eficiência exigido pela globalização e as permanentes mudanças tecnológicas, que requerem recursos cada vez mais expressivos.
Os estudos iniciados recentemente pelas duas instituições avaliarão qual o modelo mais adequado à realidade brasileira. O objetivo a ser alcançado é o aprimoramento do negócio, da estratégia e dos padrões de governança, que naturalmente trarão a valorização dos investimentos realizados até hoje por seus membros.
O sistema atual exige grande aporte de capital por parte das corretoras. Após a desmutualização, sem essa exigência, elas poderão melhor alocar seus recursos para investimentos, buscando aprimorar as suas estruturas, assim como a eficiência e a segurança de suas operações.
Recentemente, a BM&F lançou o Programa de Qualificação Operacional, que persegue a melhoria dos processos internos das corretoras, visando prepará-las para esse novo ambiente de negócios onde a competição se tornará cada vez mais acirrada, exigindo das novas corretoras um padrão de qualidade de alto nível.
Instituições como a Comissão de Valores Mobiliários e o Instituto Brasileiro de Relações com Investidores já se pronunciaram favoravelmente à decisão, elogiando esta iniciativa que em todo o mundo vem acelerando os processos de integração das bolsas. A Bovespa, que até o fim do ano consolidará sua parceria com a Bolsa do México, e a BM&F buscam na abertura de capital e na internacionalização o seu fortalecimento para competir em pé de igualdade com seus pares.
Entrevista: Alfried Plöger (presidente da Abrasca)
“Novo governo deverá manter estabilidade com foco no desenvolvimento”
Como todo empresário, o presidente da Abrasca, Alfried Plöger, está preocupado com as amarras que travam a economia brasileira. A diferença é que ele representa 167 companhias, dentre as quais estão as maiores do país. Nesta entrevista, Plöger discorre sobre ampliação do mercado de capitais, governança corporativa, reforma da Previdência, baixo crescimento da economia – temas que afetam as empresas e a sociedade. “Hoje, sem uma política econômica que promova a absorção da mão-de-obra jovem, estamos perdendo nossas melhores cabeças. O jovem se marginaliza ou, se tem oportunidade, vai para o exterior, em busca de mercado de trabalho”, diz Plöger, com conhecimento de causa: três de seus quatro filhos fizeram carreira na Alemanha e são remotas as chances de voltarem ao Brasil. “Sem educação, não há futuro”, sintetiza.
- Atualmente, existem pouco mais de 600 companhias abertas no país. O que pode ser feito para ampliar a atratividade do mercado de capitais?
- São necessárias ações em várias frentes, e uma delas é aprofundar cada vez mais o aperfeiçoamento do mercado. É importante, ainda, gerar novos instrumentos para torná-lo mais atrativo. Hoje, por exemplo, há uma avalanche de empresas de construção civil desejando abrir o capital, porque foram criados incentivos para este setor se capitalizar. A formação de um mercado secundário líquido para a dívida privada também é primordial e ele deverá surgir de um consenso entre as instituições envolvidas (Andima, Anbid, etc), que assim poderão viabilizá-lo. Outro ponto fundamental é o Governo ampliar a ênfase na âncora fiscal e reduzir o peso dos juros na economia. As empresas virão voluntariamente para o mercado de capitais, sem a necessidade de quaisquer subsídios.
- Como obter, efetivamente, um comprometimento maior das empresas com a aplicação correta dos princípios da governança?
- Em primeiro lugar, as companhias deverão seguir as aplicações corretas de seus contratos com os acionistas. Para a maioria das empresas, cumprir o que foi estabelecido em seu estatuto é um compromisso ético inquestionável. Para as exceções, temos de um lado a fiscalização, para coibir as infrações, e de outro o próprio mercado, que reconhece e valoriza as ações das companhias que efetivamente aplicam a boa governança. É sempre bom destacar que o exemplo deve vir de cima, num exercício contínuo, pois se a cúpula da empresa não cumpre o que está no papel, não irá disseminar a cultura da boa governança. Governança é, antes de tudo, uma filosofia de honestidade, transparência, com informações sempre inteligíveis para os acionistas. Por fim, no preenchimento de cargos de diretores e conselheiros o critério a prevalecer entre os indicados deverá ser o mérito, e não a escolha pessoal.
- Qual a posição da Abrasca a respeito da desmutualização da Bovespa e da BM&F? Dentre as bolsas internacionais que já passaram pelo processo de abertura de capital, há algum modelo que a Abrasca considere mais adequado à realidade brasileira?
- Recentemente, estive na Alemanha e trouxe um vasto material a respeito da desmutualização. Há alguns modelos ótimos, mas que não se adaptariam ao Brasil, pelas diferentes legislações entre os países. A desmutualização está sendo estudada por duas comissões da Abrasca, a Jurídica e a de Mercado, pois a associação quer participar ativamente do processo.
- Das seis comissões da Abrasca, uma trata especificamente de Reforma da Previdência. Quais pontos considera fundamentais para melhorar as distorções existentes no sistema?
- Vamos oferecer ao presidente eleito um estudo que estamos preparando há bastante tempo e que foi iniciado quando da elaboração do Plano Diretor do Mercado de Capitais, por Thomas Tosta de Sá, o conselheiro responsável pelo assunto hoje na Abrasca. Um consenso é que não há espaço para a aposentadoria por tempo de serviço e as aposentadorias especiais. A Previdência só se tornará viável com o atrelamento da aposentadoria ao conceito de idade mínima. Outro ponto, é que ao Estado caberia a responsabilidade pela aposentadoria básica, digamos, de três salários mínimos, e a complementação ficaria a cargo da previdência privada. A utilização do índice de reajuste do salário mínimo para as aposentadorias também não seria permitido. Além disso, o funcionalismo público teria que ajudar a cobrir o rombo causado pela categoria. O novo sistema deverá começar do zero, tal como na época da criação do FGTS, com um período de adaptação para os participantes. É um plano técnico muito detalhado, e que será entregue já com o aval de setores representativos do meio empresarial.”
- O que a Abrasca espera do próximo presidente eleito?
- Um ponto inquestionável é que seja mantida a estabilidade na economia, com inflação baixa, mas com um foco mais desenvolvimentista. Para isso, a queda dos juros reais é imprescindível. O incentivo ao setor produtivo deverá ser prioritário, pois com o crescimento baixo do PIB não há como a economia absorver os desempregados e a mão-de-obra jovem. É lamentável, porque o Brasil está perdendo boas cabeças, que se marginalizam ou vão buscar em outros países as chances que não encontram aqui. O investimento em educação é fundamental, pois sem instrução não há futuro.
PQO concederá Selo de Qualidade
Em 1o de julho a BM&F iniciou a implantação do Plano de Incentivos à Qualificação das Corretoras, para estimular a adesão ao PQO (Programa de Qualificação das Corretoras), que vai preparar as instituições para os desafios da globalização e da desmutualização das bolsas. Ao fim do programa, um Selo de Qualidade será concedido às corretoras, atestando o padrão de excelência exigido hoje pelos mercados internacionais.
O plano disponibilizará verbas para as corretoras se adequarem às exigências dos mercados internacionais e prevê o aprimoramento dos processos internos e utilização de práticas superiores de gestão, além de aquisição de sistemas de gravação, softwares de controles internos, qualificação de pessoal e treinamento.
As corretoras que já passaram desse estágio poderão utilizar as verbas para ampliar a capacidade de telefonia, aumentar gastos com treinamento ou melhoria do site e pagar despesas relacionadas à montagem de escritório no exterior.
O PQO é a segunda fase do Programa de Fortalecimento do Setor de Intermediação, iniciado em janeiro de 2005 com a modernização tecnológica das bases operacionais das corretoras, a qualificação profissional das mesas e do back-office e a introdução de procedimentos e requisitos de compliance.
O plano de incentivos será encerrado em 31 de março de 2007.
Sindicato em ação
- O ex-chefe do Departamento de Normas do Sistema Financeiro do BC Sérgio Darcy foi homenageado pelo Sindicor-RJ, em almoço realizado no Clube Americano, em 23/06. Representantes das principais corretoras e instituições do mercado prestigiaram o evento.
- O Sindicor-RJ apresenta nesta edição sua nova logomarca, em sintonia com a imagem de modernidade que a instituição representa para a categoria.
- Em 21/07 a diretoria do Sindicato ofereceu um almoço ao advogado João Maurício Pinho. Estiveram presentes o presidente Jorge Salgado e os diretores Mauro Mello e Carlos Reis.
- O presidente da Bolsa de Valores de São Paulo, Raymundo Magliano Filho, esteve em visita à Rede Globo visando estreitar o relacionamento com a empresa e dar informações sobre os trabalhos realizados pela Bovespa.
- A Andima ofereceu em 10 de agosto um coquetel aos profissionais do mercado para festejar os 35 anos de sua fundação.
- Maria Helena Santana assumiu a Diretoria de Valores Mobiliários da CVM, em 4 de agosto.
- A Ativa Corretora realizou, em 10 de agosto, palestra sobre educação financeira familiar em Foz do Iguaçu (RS).
Números do mercado
A seguir, alguns números do mercado de capitais ao longo do mês de julho, quando a Bovespa fechou em 37.077 pontos.
Fonte: Bovespa.
O volume médio de negócios em julho ficou em 1.758,8 milhão, frente aos 2.242,6 milhões de junho, com número de negócios médio diário de 76.267, contra 81.984 em igual período comparado. A participação dos investidores ficou assim distribuída: 32,6% de estrangeiros, 27,3% de institucionais, 27,7% de pessoas físicas, 9,3% de instituições financeiras e 3,0% de empresas.
Maiores altas em 2006 (janeiro a julho)
Caianda Part. PN – 1.900%
B. Meridional PN – 536,2%
Cobrasma PN – 369,9%
F. Cataguases PNB – 304,7%
Plascar Part. PN – 296,0%


