Informativo

Informativo Sindicor-RJ Julho 2002

A ESCOLA NACIONAL DE INVESTIDORES

 A criação da Escola Nacional de Investidores – cujo projeto será apresentado ao mercado em novembro e divulgado ao grande público em dezembro, para funcionar já com o novo governo – poderá transformar-se, em curto prazo, numa das principais alavancas das bolsas, pois pretende criar, através da educação prática, a figura que está faltando ao mercado: o investidor individual.

 Com efeito, as estatísticas mostram que a BOVESPA tem apenas 70 mil investidores ativos, ou seja, pessoas que compraram ou venderam ações nos últimos doze meses. É um número irrisório, tendo em vista o potencial da nossa economia e se virmos que mais de 7 milhões de pessoas têm imposto a pagar ou a receber em suas declarações anuais de renda. Acredita-se que, após dois anos de funcionamento da Escola, os investidores ativos da BOVESPA sejam multiplicados por dez.

 Incluída no Plano Diretor do Mercado de Capitais, a Escola Nacional de Investidores se baseará na experiência de mais de 50 anos dos clubes de investidores americanos. Os clubes americanos são os maiores responsáveis, no entendimento dos grandes corretores de Wall Street, pela disseminação da cultura das Bolsas nos Estados Unidos, porque através de informações e reuniões assistidas proporcionam aulas práticas sobre mercado de capitais, mostrando que qualquer um pode investir em ações.

 Esses clubes americanos são assistidos por uma associação nacional sem fins lucrativos, a NAIC – National Association of Investors Corporation, que cedeu os direitos de adaptação da metodologia e do ferramental. Seus membros se reúnem pelo menos uma vez por mês, para decidir, com assistência de um analista da corretora a que estão obrigatoriamente ligados, como aplicarão as poupanças do grupo, formadas por pequenas contribuições de cada um dos associados – pessoas com alguma afinidade, inclusive em renda, como profissionais liberais de determinada categoria: advogados, engenheiros, técnicos de informática etc.

 Além da orientação de sua Corretora, tais grupos recebem com regularidade informações gerais sobre o mercado de ações, através de revistas, newsletters e outros meios, inclusive internet, e com o tempo acabam se transmudando em comitês de investimento para cada um dos participantes. A maioria, sem abandonar as aplicações do grupo, transforma-se em investidor isolado: as estatísticas americanas mostram que, individualmente, as aplicações dos associados são dez vezes superiores às do clube, em conjunto.

 São esses investidores individuais, nascidos dentro da cultura do mercado de ações, que atraem as corretoras americanas, com um detalhe importante: como os clubes de investidores não pagam taxa de administração, o que também deve acontecer no Brasil, os ganhos de intermediação saem da gestão das carteiras individuais, que são acirradamente disputadas nos Estados Unidos.

O projeto brasileiro já foi incorporado pela BOVESPA, que é sua coordenadora, e pela Comissão Nacional das Bolsas, que cederá a infra-estrutura para o funcionamento da Escola. A CVM já deu aval para a implantação do projeto e os idealizadores estão cumprindo agora duas etapas simultâneas: tradução e adaptação das normas e instruções da associação americana dos clubes de investimentos, que cedeu gratuitamente todo o know-how e expertise, o que deve estar concluído em outubro; e a busca de financiamentos.

 A Escola Nacional de Investidores não custará caro: estima-se que exigirá investimento total de R$ 500 mil nos primeiros dois anos de implantação, após o que ganhará vida própria, uma vez que cada membro de clube de investimento pagará uma anuidade de aproximadamente R$ 50, o que seria suficiente para atender a todas as despesas da Escola, que não tem fins lucrativos. A idéia inicial é vender cotas de participação, que darão às empresas o título de sócio fundador, além de fixar a imagem institucional no mercado. Algumas grandes companhias abertas, inclusive um grande banco, já se comprometeram com o projeto, que vem ao encontro do que este Sindicato sempre se bateu: a volta e o incentivo ao investidor individual, principal alicerce dos mercados em todo o mundo.

 O importante, segundo os idealizadores, é que a Escola tenha amplitude nacional, não se fixando apenas nas grandes capitais, para isso é necessária a adesão aos clubes de investimentos em todo o País, levando-os às empresas, às universidades, aonde houver grupos afins com alguma possibilidade de poupança para aplicação, não importa a quantia. Foi assim que os clubes de investidores americanos conseguiram desmitificar as Bolsas de valores, acabando com a falsa idéia de que só os grandes ou só os espertos saem ganhando.

 O sucesso da Escola Nacional de Investidores será bom para todos: para as companhias abertas, que poderão colocar mais facilmente seus papéis; para as Bolsas, pelo aumento da liquidez no mercado; para as Corretoras, que ampliarão sua carteira de clientes, e, para a economia como um todo, porque será possível devolver ao mercado brasileiro de capitais sua função de captação de poupança de longo prazo para financiar os planos de investimento e de desenvolvimento do País. Basta que as autoridades que estão por vir cumpram a sua parte, não criando novos obstáculos ao crescimento das Bolsas.  

  Francisco de Paula Elias Filho – Presidente

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