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Informativo Sindicor-RJ Janeiro/Fevereiro/Março/Abril 2010

Informativo Sindicor-RJ

 Chamadas

 Ney Carvalho critica criatividade econômica irresponsável

 Em artigo escrito especialmente para o Informativo Sindicor-RJ, Ney Carvalho comenta as alquimias financeiras que reis absolutistas, presidentes, ministros e economistas irresponsáveis vêm fazendo ao longo da história para “contornar rudimentares regras matemáticas” que desaconselham o endividamento. “Agora estamos assistindo, no caso da Grécia, a um desdobramento da criatividade econômica, mas que associa governantes e burocratas a financistas privados. Foi a casa Goldman Sachs que instruiu o governo grego a disfarçar sua explosiva dívida pública, de modo a que vizinhos europeus e bancos internacionais desconhecessem os riscos em que estavam incorrendo”, comenta Ney Carvalho. E faz um alerta: “Os alquimistas enquistados no governo, em Brasília, tratam o Estado como um ser onipotente, que prescinde de lógica e aritmética. A social-democracia que governa a Grécia pensava da mesma forma. Mais dia, menos dia a conta amarga também chegará nestas bandas do Atlântico Sul”. 

Flavio Snell indica união às corretoras para enfrentar desafios

 Em entrevista exclusiva ao Informativo Sindicor-RJ, Flavio Snell comenta assuntos tão variados como a crise da Grécia e seus reflexos no Brasil e no mundo; o desafio das corretoras independentes em garantir seu espaço no mercado, através da união de forças; a importância do turismo para a economia, que  aponta como “um dos mais importantes e relevantes setores econômicos, ao lado inclusive, da indústria mundial de petróleo”, e o incentivo à indústria. Essa variedade de interesses é fruto da diversificação de negócios do Grupo Elite, do qual faz parte e que congrega a Elite Corretora de Valores Mobiliários, o Hotel Pierre,  a Metisa  – Metalúrgica Timboense e a empresa de consultoria e participações Partbank.

Efeito Grécia reverte alta

 Em 8 de abril, o Ibovespa chegou a 71.784 pontos, aproximando-se de seu recorde histórico de 73.516, ocorrido em 20 de maio de 2008, antes da deflagração da crise dos subprimes. Mas a crise da Grécia reverteu a tendência de alta levando o índice a fechar o mês em 67.529 pontos.

Alquimias financeiras

Ney Carvalho

As economias e contabilidades em qualquer nível, doméstico, empresarial ou nacional, baseiam-se em simples princípios aritméticos. Não se necessitam equações complexas para verificar que se os gastos e investimentos são maiores do que os ingressos a solução é o endividamento da unidade respectiva, e o aumento das despesas com pagamento dos juros correspondentes.  

 Ao longo da história não faltaram alquimistas financeiros que procuravam contornar aquelas rudimentares regras matemáticas. Desde magos medievais em busca da Pedra Filosofal, que transformaria tudo em ouro, passando por reis absolutistas, que reduziam o peso metálico de suas moedas, chegando a presidentes irresponsáveis que produziram inflações estratosféricas no século XX. Em tais categorias se podem incluir os governantes, ministros e economistas, messiânicos e clarividentes que, donos da verdade e cheios de boas intenções, elaboraram os planos heterodoxos brasileiros dos 1980. Cada qual tinha sua fórmula mágica para transformar dois mais dois em seis, ou oito, tentando contornar as normas elementares da lógica aritmética.   

 Assim também, no setor privado a maquiagem de ativos menos firmes, para parecerem sólidos aos olhos de observadores desavisados, é outra química engendrada pelos engenheiros de castelos de areia econômicos. Foi o que ocorreu na crise do subprime americano, com o empacotamento e revenda de dívidas duvidosas que contaminaram o sistema bancário do mundo desenvolvido. 

 Agora estamos assistindo, no caso da Grécia, a um desdobramento da criatividade econômica, mas que associa governantes e burocratas a financistas privados. Foi a casa Goldman Sachs que instruiu o governo grego a disfarçar sua explosiva dívida pública, de modo a que vizinhos europeus e bancos internacionais desconhecessem os riscos em que estavam incorrendo.

 Em nosso país, desde que JK fundou Brasília, há 50 anos, a capital e sua burocracia se transformaram na matriz auto-suficiente da alquimia financeira nacional, prescindindo de assessores privados para desenvolver seus mostrengos econômicos, destinados a tentar desconstruir princípios aritméticos. O Brasil pratica autêntico contorcionismo para evitar a realidade matemática de que não se deve gastar mais do que se arrecada, ou investir o que não se poupou.

 O exotismo contábil tem estado em grande moda nos dias que correm, sobretudo no que se refere à capitalização de empresas estatais. Foram cedidos como bons créditos de dividendos da Eletrobrás com 30 anos de atraso, autêntica moeda podre. Pretende-se injetar recursos na Petrobrás emitindo títulos de dívida governamental para troca por barris de petróleo ainda submersos no Oceano Atlântico. O BNDES tem se empanturrado de papéis públicos para financiar os projetos que o poder considera prioritários, tal e qual nos tempos do Brasil grande dos militares. 

 Os alquimistas enquistados no governo, em Brasília, tratam o Estado como um ser onipotente, que prescinde de lógica e aritmética. A social-democracia que governa a Grécia pensava da mesma forma. Mais dia, menos dia a conta amarga também chegará nestas bandas do Atlântico Sul. 

Entrevista: Flavio Snell

 A estratégia mais viável é, sem dúvida, a união de forças”

Com vasta experiência no mercado de capitais, nesta entrevista Flavio Snell comenta assuntos tão variados como a crise da Grécia e seus reflexos no Brasil e no mundo; o desafio das corretoras independentes em garantir seu espaço no mercado, através da união de forças; o turismo e o incentivo à indústria – fruto dos múltiplos interesses do Grupo Elite, do qual faz parte e que congrega a Elite Corretora de Valores Mobiliários, o Hotel Pierre, a Metisa ( Metalúrgica Timboense) e a empresa de consultoria e participações Partbank. Snell também fala de suas expectativas em relação aos candidatos à Presidência da República para o mercado de capitais. “O estímulo à indústria é um estímulo ao mercado de capitais, visto que neste o que se negocia são ‘partes’ de empresas de capital aberto (…) e o estímulo ao mercado de capitais é um estímulo à indústria, pois é na Bolsa que se capta recursos para investimentos na indústria”, resume Snell.

 A Bolsa brasileira se aproximava do nível em que se encontrava antes do início da crise, em 2008, quando eclodiu a crise da Grécia. Quais diferenças o Sr. vê entre os dois momentos?

 O Ibovespa atingiu seu máximo em meados de maio de 2008, chegando a 73.000 pontos. Naquele momento havia um fluxo positivo bastante elevado de entrada de capitais estrangeiros na bolsa brasileira. Como a crise americana provocou aversão ao risco, os investidores em ações preferiram sair das bolsas e aplicar em investimentos mais seguros. Os preços dos papéis caíram e os índices se desvalorizaram mas, nos últimos dois anos, houve uma gradual recuperação de confiança no sistema financeiro internacional e aumento do crédito. As bolsas voltaram a se valorizar e houve novamente uma forte entrada de recursos estrangeiros na bolsa de valores brasileira. O Ibovespa, que atingiu o mínimo de 31.250 em 21 de novembro de 2008, voltou a 71.784 pontos em 8 de abril de 2010. Mas o receio de que a Grécia não consiga atingir as metas propostas e a crise se agrave, mais uma vez estão minando a confiança do investidor e provocando ondas de vendas pelos mercados de ações, principalmente dos países emergentes como o Brasil. A origem da crise atual é diferente da ocorrida em 2008, porém tem gerado novamente uma crise de confiança, o que poderá trazer novamente um período de aversão ao risco. A expectativa fica por conta da eficiência em conter a situação emergencial, e no sucesso da elaboração de um plano, de médio e longo prazo, viável para a Europa.     

 Como as corretoras independentes poderão enfrentar a concorrência cada vez maior das corretoras dos grandes bancos?

 Nos últimos anos, o mercado acionário brasileiro, através de diversos agentes e associações, vem adotando várias medidas e mecanismos de supervisão e controle que visam proteger os investidores. Tais procedimentos demandam dos agentes de intermediação financeira vultosos investimentos em equipamentos, pessoal, treinamento e instalações. Para concorrer com as baixas taxas de intermediação oferecidas pelos bancos e grandes conglomerados financeiros, que conseguem uma maior diluição de seu custo operacional, a estratégia mais viável é, sem dúvida, a união de forças. Através de fusões entre corretoras é possível ganhar escala. As corretoras que permanecerão no mercado com certeza terão investido fortemente no atendimento diferenciado e personalizado de seus clientes, além da modernização de sua estrutura e aperfeiçoamento de controles.

 Quais medidas seriam necessárias tomar para que o mercado de turismo no Rio de Janeiro se consolide?

 O governo deve acreditar que o turismo pode ser uma das três mais importantes fontes de renda e de emprego.  Infelizmente, turismo tem sido considerado nesse país como uma atividade de aventureiros.  Qual o nome do Ministro do Turismo?   E estamos falando de 2012, às portas da Copa do Mundo e das Olimpíadas. O turismo figura, hoje, um dos mais importantes e relevantes setores econômicos do mundo, ao lado da indústria de petróleo.  Segundo a OMT o setor gera, anualmente, US$ 4 trilhões e mais de 280 milhões de empregos diretos e indiretos, sendo considerado um setor em expansão em todo o mundo, tendo triplicado de tamanho nas últimas cinco décadas. O Brasil, apesar de sua vocação natural e do grande potencial inexplorado, ainda carece de investimentos, infra-estrutura, promoção, profissionalização, qualificação, normalização e organização. A primeira providência é investir no setor. O BNDES abre linhas de crédito que só são viáveis aos grandes grupos turísticos.  O médio e pequeno empresário têm que contratar uma empresa para preparar um projeto para ser submetido ao agente e depois ao BNDES.   O custo do dinheiro pode até ser barato, mas o de captação acaba inviabilizando a operação.  E o prazo de carência é muito curto para que o investimento comece a dar retorno. Há também uma falta de mão de obra qualificada, imprescindível para cativar o mercado e fidelizar o cliente. Essa sofisticação do turista também significa que ele é mais engajado com o aspecto social e ecológico do destino.  Turismo responsável não é só um modismo – quem não se adequar aos padrões de sustentabilidade e proteção ao meio ambiente não vai muito longe.  Deve-se cuidar não só do turista, mas dos meios turísticos e da população ao seu redor. Também é necessário um esforço maciço de promoção dos produtos turísticos locais e da marca “Rio de Janeiro”.  Há uma competição mundial ferrenha pelo cliente internacional, e é fundamental haver uma conscientização geral antes, durante e especialmente após os grandes eventos que sediaremos em 2014 e 2016.

 O que o Sr. espera ver na pauta dos candidatos à presidência para estimular o mercado de capitais no país?

Espero que eles contemplem os seguintes pontos: estímulo à abertura de capital das empresas, de modo a criar fontes de financiamento para implantação ou expansão de instalações industriais a custos adequados; estímulo ao mercado secundário nas Bolsas de Valores, mediante isenção tributária sobre renda variável, o que se justifica por se tratar de operações de risco; desenvolvimento de um programa geral de desburocratização, de modo a reduzir os gastos administrativos das empresas; desoneração das exportações mediante garantia de que a totalidade dos créditos fiscais federais sejam restituídos em no máximo 30 dias e suporte aos Estados para que possam restituir, nesse prazo, os créditos de ICMS; criação de  mecanismos que permitam estender o drawback verde-amarelo aos impostos estaduais (ICMS); investimentos na infra-estrutura de transportes e de suprimento de energia elétrica, seja através de delegação de tais investimentos ao setor privado, seja através de investimentos públicos quando a transferência dessa incumbência ao setor privado não for viável; desenvolvimento da formação de profissionais de nível médio, mediante a criação pelo Estado de escolas profissionalizantes e/ou mecanismos para que jovens pobres possam frequentar escolas particulares de formação profissional; desenvolvimento da formação de mão-de-obra, mediante a multiplicação de instituições do tipo SENAI. Cabe observar que o estímulo à indústria é um estímulo ao mercado de capitais, visto que neste o que se negocia são “partes” de empresas de capital aberto. Paralelamente, o estímulo ao mercado de capitais é um estímulo à indústria, uma vez que a Bolsa de Valores é a instituição através da qual se pode captar recursos para investimentos na indústria em condições adequadas a esse fim.

 Números do mercado

 A seguir, os principais números do mercado de capitais em março e abril, quando o Ibovespa atingiu 71.784 pontos em 8/4. Mas a crise da Grécia reverteu a tendência de alta levando o índice a fechar o mês em 67.529 pontos. Fonte: BM&FBovespa.

 - O volume total movimentado pela Bovespa em abril foi de R$ 128.307,2 bilhões, ante R$ 136.385,9 bilhões no mês anterior. O volume médio diário atingiu R$ 6,937 bilhões, ante R$ 6,470 bilhões em março. O número total e a média diária de negócios foram de 6.470.510 e 404.904, frente a 7.053.431 milhões e 392.962, respectivamente em março.

 - Os investidores institucionais tiveram participação de 34,6% do volume total de negócios, ante 31,4% em março; os investidores estrangeiros ficaram com 28,3% contra 28,3% registrados no período; as pessoas físicas com 25,4%,  contra 30,7% registrados em março; e as instituições financeiras com 9,4%, ante 9,8%; e as empresas, com 2,3% em abril, repetindo a participação do mês anterior.

 Maiores altas (janeiro a abril)

MMX Miner ON NM – 26,75%

SOUZA CRUZ ON – 19,70%

SID Nacional ON – 15,29%

USIMINAS PNA – 13,92%

LOJAS RENNER 0N – 11,55%

 Maiores baixas

BRASIL TELEC PN – (-33,37%)

TELEMAR NL PNA (-25,25%)

TELEMAR ON – (-23,60%)

TELEMAR PN – (-21,73%)

B2W Varejo ON – (-19,51%)

 

 

 

 

 

 


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