Novo governo traz novas esperanças para o Estado
A expectativa dos cidadãos fluminenses em torno do novo governo do Estado é grande, e em seu artigo “Uma nova oportunidade para o Rio de Janeiro”, o presidente do Sindicor-RJ, Jorge Salgado, analisa os primeiros passos do governador Sergio Cabral. “Desde sua eleição, o governador deu mostras de sua habilidade política, ao buscar uma aproximação com o presidente Lula, passando ao largo das questões partidárias (…) “Jovem ainda, Cabral tem uma oportunidade de ouro ao governar o Estado, que apesar de tudo continua sendo a principal vitrine do país. Mas tem também um árduo trabalho pela frente”, avalia. Jorge Salgado comenta ainda a violência diária a que a população está submetida e que “não se restringe apenas ao assalto, seqüestro, bala perdida ou crime hediondo que a bandidagem inventa para esbofetear a sociedade” (…) mas que está presente “nas grandes e pequenas transgressões toleradas por todos nós sob o eufemismo do jeitinho”. Página 2
Empreendedorismo é a solução para o Rio, diz Monteiro de Carvalho
Presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, fundada em 1808 e uma das mais antigas e tradicionais entidades de representação civil do país, Olavo Monteiro de Carvalho fala em entrevista ao Informativo Sindicor-RJ sobre o trabalho que vem sendo feito para estimular o crescimento do Estado, comprometido pela estagnação econômica da Região Metropolitana desde os anos 80. Um levantamento dos principais entraves foi realizado ao longo de 2006 pela ACRJ e entre as soluções apresentadas está o estímulo ao empreendedorismo. “Acredito que as ações mais urgentes são as que eliminam a burocracia e aliviam a brutal carga tributária que hoje incide sobre o empresário”, afirma. Monteiro de Carvalho comenta também a atuação do governador Sergio Cabral: “Ele está fazendo alianças. Essa postura abre a possibilidade de trabalharmos todos em objetivos comuns”, diz. Página 3
“Números do Mercado” traz recordes de 2006 e 2007
A Bovespa bateu diversos recordes em 2006, como o volume de negócios, que alcançou R$ 598,9 bilhões, um crescimento de 49,3% em relação a 2005, e o giro financeiro, que em dezembro atingiu R$ 60,1 bilhões. Em 14 de fevereiro, data de fechamento desta edição, a bolsa fechou em 45.996 pontos e volume financeiro de R$ 14,3 bilhões, estabelecendo novos recordes.
Uma nova oportunidade para o Rio de Janeiro
Jorge Salgado
A chegada do governador Sérgio Cabral ao Palácio Guanabara devolve a esperança de ver o Estado ocupar novamente o seu papel na vida econômica, política e cultural do País, após sucessivos governos cujos desmandos trouxeram o Rio de Janeiro para o momento mais critico de toda a sua história. O desleixo para com a coisa pública – leia-se administrações que não priorizaram Educação, Saúde, Segurança, Transportes – levou à debandada dos investimentos e hoje a maioria das cidades fluminenses sofrem dos mesmos males da capital: aumento de pobreza, violência e caos urbano.
Desde sua eleição, o governador deu mostras de sua habilidade política, ao buscar uma aproximação com o presidente Lula, passando ao largo das questões partidárias. Aliás, esta deveria ser a postura-padrão a nortear cada ocupante de cargo executivo desde o primeiro dia de seu mandato, para o bem da população que o elegeu. Coincidência ou não, o Rio de Janeiro foi contemplado com uma importante participação no Programa de Aceleração do Crescimento, e obras fundamentais para o desenvolvimento do Estado, como o arco rodoviário, sairão finalmente do papel, aumentando a competitividade dos produtos fluminenses e beneficiando milhares de pessoas.
Jovem ainda, Cabral tem uma oportunidade de ouro ao governar o Estado, que apesar de tudo continua sendo a principal vitrine do país. Mas tem também um árduo trabalho pela frente. Não se trata apenas de atrair mais verbas para o Estado. É fundamental que sua administração ajude a recuperar a auto-estima do cidadão fluminense, cansado de ver o Rio de Janeiro sempre associado a imagens negativas, fruto da desordem instalada gradualmente ao longo dos anos.
Hoje, a população não consegue mais transitar pelas cidades, seja a pé, de ônibus, carro ou metrô sem se sentir ameaçada pela violência que vitima pessoas de todas as idades e classes sociais, a qualquer hora do dia. E a violência não se restringe apenas ao assalto, seqüestro, bala perdida ou crime hediondo que a bandidagem inventa para esbofetear a sociedade. A violência está na calçada ocupada por carros, camelôs, flanelinhas, traficantes de drogas; na ocupação desordenada dos morros, causando prejuízo ao meio ambiente; nas ruas engarrafadas pela falta de transporte de massa eficiente; na poluição sonora e visual, com placas espalhadas por toda a parte; nas grandes e pequenas transgressões toleradas por todos nós sob o eufemismo do jeitinho.
Já é hora de um basta a tudo isso e do início de uma campanha pela Tolerância Zero às pequenas e grandes falcatruas que amarram o Estado ao subdesenvolvimento, e que no Rio de Janeiro floresceram com vigor nos últimos anos, adubadas pelo comportamento nebuloso de alguns governantes.
A obscuridade de outrora deve ser combatida com transparência e eficiência administrativa em um Estado enxuto, no qual o clientelismo, o nepotismo e outras práticas tão enraizadas na sociedade brasileira sejam banidos. A definição de sua equipe, com nomes como o de Joaquim Levy para a Secretaria de Finanças, indica uma vontade grande de mudança por parte do governador.
Sérgio Cabral tem nos próximos quatro anos o desafio de recolocar o Estado do Rio de Janeiro nos trilhos da normalidade. É isso o que a população mais deseja: voltar a ter uma vida normal, transitar livremente e em segurança pelas ruas e calçadas desimpedidas, trabalhar com dignidade vendo crianças em escolas de qualidade, idosos assistidos, hospitais e todo o serviço público funcionando com eficiência. Bom trabalho e boa sorte, governador!
Entrevista: Olavo Monteiro de Carvalho
“Precisamos estimular o empreendedorismo, a criatividade e a competência da população”
Há um ano a ACRJ iniciou o levantamento das principais questões pertinentes ao desenvolvimento do Estado e ao fim do estudo constatou que a Região Metropolitana, estagnada desde os anos 80, é hoje um entrave ao crescimento econômico, em contraste com o interior, alavancado por setores como o petróleo. À frente deste trabalho, que envolveu 21 Conselhos Empresariais, está o presidente Olavo Monteiro de Carvalho, que acredita que a solução para esta paralisia pode estar no incentivo ao empreendedorismo, discutido no Fórum do Rio: Ambiente de Negócios e Base da Pirâmide, realizado em 5 de fevereiro. “Decidimos voltar o foco do trabalho da ACRJ para a criação de um ambiente de negócios favorável à micro e pequena empresa, focando na base da pirâmide econômica, vital para a sustentação do desenvolvimento”, afirma nesta entrevista, onde também fala de sua expectativa em relação ao novo governador.
O que vem sendo feito pela ACRJ para tentar deter o esvaziamento econômico e cultural do Rio de Janeiro?
Desde o início de 2006, a ACRJ vem conduzindo um grande trabalho de discussão, através dos seus 21 Conselhos Empresariais, das principais e mais urgentes questões referentes ao Rio de Janeiro. Ao longo do ano passado, os conselheiros, com o apoio do IETS – Instituto de Estudos de Trabalho e Sociedade – identificaram os gargalos que atrapalham o desenvolvimento do Estado bem como as vantagens competitivas que podem ser exploradas para alavancar o nosso crescimento econômico e a organização social. Como resultado, identificamos que, hoje, a Região Metropolitana do Rio de Janeiro representa um entrave ao crescimento do Estado. Desde a década de 80 o crescimento da Região Metropolitana do Rio de Janeiro está estagnado, enquanto o interior experimenta crescimento em alguns setores específicos, como o setor do petróleo, que trouxe recursos inéditos para muitas cidades que, antes, não tinham uma grande expressividade econômica. A questão é que a estagnação da Região Metropolitana afeta negativamente todo o Estado. A partir desse diagnóstico, identificamos que a maneira mais eficiente de incentivar o crescimento e a reordenação do Rio de Janeiro é promover o crescimento e a reordenação da Região Metropolitana, criando mecanismos de incentivo e apoio ao empreendedor. Analisando os números, é fácil entender essa escolha. Hoje, as micro, pequenas e médias empresas representam 25% do PIB do Brasil, geram 14 milhões de lugares de trabalho, o que representa nada menos do que 60% dos empregos formais em todo o País. Na Região Metropolitana, 70% dos postos de trabalho criados entre 1992 e 2004 surgiram em empresas com até 10 empregados. Por isso, decidimos voltar o foco do trabalho da ACRJ para a criação de um ambiente de negócios favorável à micro e pequena empresa, a base da pirâmide econômica, o que é vital para a sustentação do desenvolvimento. No dia 5 de fevereiro lançamos o Fórum do Rio: Ambiente de Negócios e Base da Pirâmide, composto pelos representantes das principais empresas do Estado, além de representantes dos governos municipal, estadual e federal, e que vai atuar através de seis comitês temáticos: crédito, capacitação, assistência técnica, comercialização, tecnologia e infra-estrutura.
Qual a expectativa da ACRJ em relação ao novo governador?
Estamos vivendo um momento histórico no Rio de Janeiro. Depois de muitos anos – décadas – de falta de alinhamento entre as autoridades, o governador Sergio Cabral está fazendo alianças e estabelecendo compromissos de apoio com todas as principais esferas de governo, tanto no governo federal como na esfera municipal. Isso é indispensável para o Rio de Janeiro. Essa postura do novo governador abre a possibilidade de trabalharmos todos em objetivos comuns, colocando os interesses do Rio acima de eventuais diferenças. Com isso, a contribuição da iniciativa privada e dos empresários torna-se muito mais disponível e eficaz. Estamos apostando nisso na ACRJ e posso dizer que já é uma realidade.
Quais as ações necessárias para estimular vocações do Estado, como cultura, moda e turismo?
Precisamos estimular o empreendedorismo, a criatividade e a competência da nossa população. As ações mais urgentes são as que eliminam a burocracia e aliviam a brutal carga tributária que hoje incide sobre o empresário. Abrir uma empresa no Rio envolve 15 diferentes procedimentos e leva 75 dias; em Minas são cinco procedimentos e 19 dias; enquanto na Nova Zelândia o processo leva menos de uma hora, via Internet. Com relação à carga tributária, pecamos pelo peso dos impostos e pela complexidade do sistema fiscal. Isso é um enorme incentivo à informalidade, e precisa mudar. O combate à violência é fundamental para todos os setores, e tem impacto direto no turismo. Finalmente, o acesso ao crédito e o investimento em infra-estrutura – como o acesso à Internet de banda larga e a serviços de telefonia de ponta – são fundamentais para as empresas.
Como os investimentos destinados ao Rio pelo PAC devem impactar os empresários?
O PAC é uma iniciativa importante do governo federal e vai ter um impacto positivo. Recentemente, o presidente Lula reconheceu, em um discurso comovente, que o governo federal tem uma dívida com o Rio de Janeiro, e assumiu o compromisso de quitar essa dívida durante esse mandato. Isso é importante para o empresariado fluminense. A criação do anel rodoviário vai melhorar a nossa logística, aumentando significativamente a nossa competitividade.
Quais os principais projetos da ACRJ para este ano?
A ACRJ está envolvida em diversos projetos, desde o estudo da cadeia produtiva do carnaval, em parceria com o Sebrae, até a criação do Pólo Cultural e Gastronômico da Praça Quinze. Os comitês temáticos do Fórum do Rio também identificarão ações voltadas para a solução de problemas específicos e para a criação de novos mecanismos de desenvolvimento auto-sustentável. Estamos firmemente comprometidos em melhorar o ambiente de negócios da micro e pequena empresa.
Números do Mercado
A Bovespa bateu ao longo de 2006 sucessivos recordes e iniciou o ano de 2007 com resultados bastante expressivos, como pode ser visto a seguir. Fonte: Bovespa
- O volume de negócios na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) alcançou R$ 598,9 bilhões em 2006, crescimento de 49,3% em relação a 2005. O giro financeiro do ano passado foi o maior registrado na história da Bolsa. Apenas em dezembro, a Bovespa movimentou R$ 60,1 bilhões, com médias diárias de R$ 3,2 bilhões e 98.534 negócios.
- O valor de mercado das 350 empresas com ações negociadas na Bovespa atingiu R$ 1,54 trilhão em dezembro, crescimento de 36,9% em relação ao ano anterior.
- O Ibovespa em janeiro fechou em 44.641 pontos, depois de atingir 45.382 em 02/01, frente aos 44.473 pontos de dezembro. O número de empresas listadas em bolsa chegou a 397, contra 378 em janeiro de 2006.
- No próximo dia 01/03, será comemorado o registro da 100a empresa a fazer parte dos registros especiais da Bovespa (Novo Mercado, Níveis 1 e 2).
Mercado em ação
- A Bovespa lançou em janeiro o site Em Boa Companhia, que já reúne 29 empresas e seis corretoras de valores que praticam a responsabilidade sócio-ambiental e que listaram 195 projetos que totalizam R$ 1,464 bilhão.
- A BM&F comemorou 21 anos no dia 31 de janeiro e na ocasião prestou uma homenagem a Raymundo Magliano Filho, presenteando-o com um quadro no qual estão o presidente da Bovespa ao lado de seu falecido pai.
- A Bovespa lançou em 8 de fevereiro a Proteção do Investimento com Participação (POP), uma aplicação que garante a devolução de parte da importância investida no mercado de capitais, e que visa atrair os investidores individuais.


