Cenário otimista para 2006
Em seu artigo “Bons ventos”, o presidente do Sindicor-RJ, Jorge Salgado, analisa o cenário nacional, agraciado por fatores externos e internos extremamente positivos, “especialmente em um ano eleitoral cujos candidatos com chance de vitória não acenam com ruptura do modelo adotado pelo governo passado e mantido pelo atual”, afirma. “No cenário externo, manutenção do crescimento mundial, abundância de capitais, commodities em alta; internamente, dívida em queda, balança comercial com fôlego, juros em declínio, aumento do emprego e da renda, inflação sob controle, estimativa de crescimento do PIB para além de 3,4% (…) e a grande vitalidade do mercado de ações, representada pelos sucessivos recordes de negociação e pelo lançamento de empresas. Mas Jorge Salgado faz um alerta: “Espera-se que as tentações eleitoreiras sejam mantidas longe dos gabinetes e palanques”.
Mercado de carbono será instalado neste ano
Os pregões para o mercado de curto prazo de energia elétrica, fruto da parceria entre a Bolsa de Valores do Rio de Janeiro e a Bolsa de Mercadorias e Futuros e que movimentaram R$ 12,5 milhões em seus cinco primeiros pregões, iniciaram um processo de revitalização das atividades da BVRJ, que será engrossado pela instalação, ainda neste ano, do mercado de carbono. O presidente da BM&F, Manoel Félix Cintra Neto, fala em entrevista ao Informativo Sindicor-RJ sobre o trabalho que vem sendo realizado conjuntamente pelas duas instituições. “Por características históricas, o Rio de Janeiro tem todo o perfil para sediar os negócios com energia e novos mercados correlatos, como o de créditos de carbono”, afirma. (Página 3)
Home Broker é destaque em “Números do mercado”
A Bovespa vem apresentando recordes sucessivos em seus pregões, aproximando-se cada vez mais da casa dos 40.000 pontos, mas é importante destacar o crescimento vertiginoso do Home Broker, que em fevereiro voltou a bater recordes de número de acessos ao sistema, com 52.414 frente os 52.208 de janeiro. (Página 4)
Bons ventos
Jorge Salgado
As perspectivas que se abrem para 2006 são as mais otimistas de que se tem notícia em muitos anos, pois um conjunto de fatores parece conspirar a favor do Brasil. Externamente, manutenção do crescimento mundial, puxado pela China, abundância de capitais e commodities em alta; internamente, dívida em queda, balança comercial com fôlego, juros em declínio, aumento do emprego e da renda do trabalhador, inflação sob controle, estimativa de crescimento do PIB para além de 3,4%. Tudo isso em pleno ano eleitoral que, quem diria, deverá transcorrer sem maiores sustos, pois os fundamentos econômicos estão mais sólidos e entre os candidatos com chance de vitória nenhum acena com ruptura do modelo adotado pelo governo passado e mantido pelo atual.
Focos de tensão existem, naturalmente: no cenário macro, preocupa o déficit fiscal dos Estados Unidos em combinação com uma balança comercial também em déficit crescente, que poderão conduzir a uma política econômica restritiva por parte do FED, com prejuízo do fluxo de dólares para o Brasil. A ascensão da esquerda na América Latina, uma tendência que poderá ser reforçada neste ano em que vários pleitos ocorrerão na região, poderá preocupar o investidor estrangeiro, que têm dificuldades para perceber as particularidades de cada país, mas que fica atento às análises de risco, cada vez mais favoráveis ao Brasil, que vem exercendo bem o papel de mediador político, reduzindo as tensões e reafirmando sua liderança.
A recente decisão tomada pelo Governo – e reivindicação antiga do mercado (Andima, Bovespa, BM&F etc) – de isentar o investimento estrangeiro em títulos da dívida pública, foi um passo importante para atrair capital para o país. É uma oportunidade única de não só alongar a dívida pública como também de diversificar o perfil do investidor em títulos do Tesouro, o que a médio e longo prazos certamente produzirá uma redução consistente na taxa de juros interna, favorecendo a busca por investimentos no mercado de capitais, que vem mostrando grande vitalidade nos sucessivos recordes de negociação e no lançamento de empresas.
Ofertas de ações superaram os R$ 21 bilhões entre janeiro de 2004 e novembro de 2005, totalizando 28 empresas. Para aumentar o interesse por seus papéis frente à irresistível atratividade dos juros estratosféricos, as empresas passaram a oferecer maior transparência e rígidos padrões de governança corporativa, o que contribui para a valorização do mercado como um todo. Em 2004, 17 empresas fizeram seus lançamentos no Novo Mercado e cinco no Nível 2 de Governança Corporativa; em 2005, dez empresas ingressaram no Novo Mercado. Neste ano, os lançamentos bem-sucedidos de empresas tão diferentes como Copasa, Vivax, Gafisa, Company e Perdigão revelam o quanto o mercado pode ser atrativo para o investidor nacional ou estrangeiro.
Importante destacar o papel do programa “Bovespa vai até você”, que procura apresentar ao pequeno investidor alternativas de investimento diferentes da renda fixa, o que contribui para democratizar e fortalecer o mercado de ações. Atentas às necessidades do mercado, que ganhará um novo dinamismo este ano com o início da integração das bolsas latino-americanas, as corretoras estão trabalhando muito para ampliar sua atuação, com a abertura de escritórios fora do eixo Rio-São Paulo. Digna de nota é a expansão dos homebrokers, oferecidos atualmente por 51 corretoras, e que tornam o mercado acessível a um número cada vez maior de investidores.
Cenário tão favorável não pode ser desperdiçado. Espera-se que as tentações eleitoreiras sejam mantidas longe dos gabinetes e palanques e que no próximo governo as reformas estruturais finalmente aconteçam, para que a economia possa avançar com mais vigor e venha a promover um desenvolvimento mais distributivo entre os vários setores econômicos do país, independentemente de quem esteja no comando da Nação.
Entrevista Manoel Cintra
Parceria BM&F e BVRJ em expansão
O presidente da Bolsa de Mercadorias e Futuros, Manoel Félix Cintra Neto, está animado com os projetos em andamento na Bolsa de Valores do Rio. Os pregões para o mercado de curto prazo de energia elétrica, que conferiram mais transparência e acesso aos agentes de mercado, movimentaram R$ 12,5 milhões em seus cinco primeiros pregões, e são considerados um sucesso pela BM&F. Agora, as duas instituições trabalham na instalação do mercado de carbono, um sonho que parecia distante mas que ganhou novo impulso com a adesão da Rússia ao protocolo de Kyoto, no ano passado. “Para 2006, a BM&F pretende implantar sistema de negociação e de registro de negócios com créditos de carbono nos segmentos de balcão para as operações a termo e de opções de compra e venda” na Bolsa do Rio, afirma Manoel Cintra.
- Os cinco pregões de energia realizados na Bolsa do Rio, entre agosto e dezembro, negociaram 1.009 contratos, com volume financeiro de R$ 12,5 milhões. Este volume está dentro das expectativas? Qual a perspectiva para 2006?
- Sim, a BM&F considera que a implantação de pregões para o mercado de curto prazo de energia elétrica foram um sucesso, principalmente por permitir maior transparência e acesso dos agentes. Para 2006, além da continuidade dos pregões para negociação dos contratos de curto prazo na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, a BM&F cuidará da segunda fase do mercado de energia elétrica. A previsão é de elaboração de contratos futuro e a termo.
- Como está o andamento da implantação do ambiente de negociação de créditos de carbono nos mercados de opções?
- Já estamos com o Banco de Projetos* instalado. Para 2006, a BM&F pretende implantar sistema de negociação e de registro de negócios com créditos de carbono nos segmentos de balcão para as operações a termo e de opções de compra e venda.
- Quais medidas seriam necessárias para incentivar a reativação do mercado financeiro/de capitais do Rio de Janeiro?
- Dentro da alçada da Bolsa de Mercadorias & Futuros, as medidas estão em andamento. A revitalização dos pregões na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, com o mercado de energia de curto prazo, e a criação de um mercado de créditos de carbono são iniciativas cuja implantação tiveram início em 2005 e que, como dito anteriormente, terão continuidade neste ano. Além disso, a BVRJ sedia também um call center para exportação, em parceria com o governo do Estado, destinado a pequenas e médias empresas interessadas em exportar.
- Quais os planos da BM&F para a BVRJ?
- Por características históricas, o Rio de Janeiro tem todo o perfil para sediar os negócios com energia e novos mercados correlatos, como o de créditos de carbono. E a Bolsa do Rio deve ser o centro de negociação e registro desses produtos – e de outros que venham a ser demandados pelo mercado. É neste projeto que trabalhamos.
* Nota do editor: O Banco de Projetos, hospedado nos sites da BM&F e da BVRJ, destina-se, principalmente, a acolher projetos de desenvolvimento limpo e conferir-lhes visibilidade, com exposição ampla e gratuita perante eventuais interessados em qualquer lugar do mundo.
Números do Mercado
A seguir, alguns números do mercado de capitais ao longo do mês de janeiro e fevereiro, com destaque para o Home Broker, que vem batendo recordes sucessivos. Fonte: Bovespa.
O volume médio de negócios ficou em 2.682,9 milhões em fevereiro, frente a 2.204,9 milhões de janeiro, com número de negócios médio diário de 89.088, contra 77.680 em igual período comparado. O Índice Bovespa alcançou o recorde de 39.177 pontos em 01/03.
* O volume total em fevereiro chegou a R$ 48.292,4 milhões, contra R$ 46.303,6 milhões em janeiro; o número de negócios total (à vista) ficou em 1.058.750, frente a 1.063.622 no mesmo período.
* O Home Broker voltou a bater recordes de número de acessos ao sistema, com 52.414 frente os 52.208 de janeiro; a média diária de número de negócios foi de 31.764 contra os 31.694 em igual período. A participação no número de negócios total da Bovespa em fevereiro foi de 18,44%, frente 21,05% em janeiro; e o volume médio diário foi de R$ 236,6 milhões, ante R$ 253,4 milhões em igual período
* Em fevereiro, a participação do investidor estrangeiro chegou a 36,17% do volume total, ante 35,13% de janeiro. Os investidores institucionais tiveram participação de 26,16%, contra 27,92% em janeiro, enquanto as pessoas físicas ocuparam a terceira posição, com 23,35%, ante 25,44% em janeiro, seguidas pelas instituições financeiras, com 12,76%, ante 9,20%; e as empresas, com 1,40%, ante 2,09%, no mesmo período.
Maiores altas da Bovespa
Janeiro a fevereiro
Aço Altona PN – 174,1%
Cesp ON – 137,3%
Tele Norte CL ON – 128,3%
Inepar Tel ON – 115,7%
Tele Norte CL PN – 102,5%
Maiores baixas
Janeiro a fevereiro
Dohler PN – (-) 40,5%
Biomm ON – (-) 31,7%
Gazola PN – (-) 31,6%
Wiest PN – (-) 27,6%
Celg ON – (-) 25,4%
Sindicor-RJ em ação
- Em 07/02, a diretoria do Sindicor-RJ realizou almoço com o advogado Marcus Donnici, para tratar de questões trabalhistas das corretoras associadas.
- André Luiz Dumortout, com 30 anos de atuação no mercado de capitais como advogado nas áreas de Direito Empresarial, Administrativo, Civil, Tributário e Penal, está à disposição das corretoras para esclarecer quaisquer questões judiciais. Informações: (21) 2286-2904.
- Em 19/01, o analista de investimentos da Ativa Corretora, economista Arthur Carvalho, fez uma apresentação na sede do Sindicor-RJ do documento “Perspectivas 2006”, relatório preparado pela equipe de análise da corretora para guiar as decisões de investimentos de seus clientes.


