O MERCADO NÃO ESMORECERÁ
O ano começa com a imposição de um desestímulo ao crescimento do mercado brasileiro de capitais: a alíquota do Imposto e Renda sobre aplicações em bolsa foi aumentada e hoje é igual aos investimentos em renda fixa. Criou-se, assim, uma falsa isonomia porque o mercado de ações pressupõe riscos, enquanto o de renda fixa tem sua rentabilidade garantida pelos títulos do Governo.
A tributação afeta igualmente os fundos de investimentos em ações, grandes investidores em bolsa cujas cotas perderão em rentabilidade. Isso vai significar grande migração para os fundos de renda fixa e a mais do que provável a queda no movimento diário da Bovespa.
Antes de igualar a alíquota do IR em bolsa à do mercado de renda fixa, colocando sob a mesma rubrica duas formas tão diferenciadas de risco nas aplicações, o governo deveria levar em conta a máxima de Ruy Barbosa: “tratar com desigualdade a iguais ou a desiguais com igualdade é desigualdade flagrante e não igualdade real”.
As desigualdades, nesse caso, não se referem apenas ao risco. Estão implícitas nos prazos, pois a renda fixa é um investimento de curto prazo, enquanto as ações se destinam a poupança em prazos mais dilatados.
De forma mais eloquente, tais desigualdades surgem no destino final das aplicações: enquanto a renda fixa destina-se basicamente a financiar os gastos governamentais, especialmente o pagamento de juros para cobrir a dívida cada vez maior da União.
Os investimentos em bolsa promovem a capitalização das empresas e, conseqüentemente, o crescimento saudável da economia, resultando em mais impostos, mais empregos e redução das desigualdades sociais.
Quando todos os fatores macroeconômicos do País estão sob controle, esperando-se que as contingências internacionais e problemas internos menores permitam uma queda da taxa de juros, o que incentivaria a migração das aplicações de renda fixa para variável, o mercado de ações volta a ser o patinho feio de um governo que promoveu reformas liberalizantes nunca vistas na história brasileira.
O aumento de 10% para 20% no IR sobre ganhos em bolsa é mais vitória da área arrecadadora do Governo sobre as necessidades das companhias abertas, dos investidores e do crescimento da riqueza nacional. É um aumento que se segue à manutenção da cobrança da CPMF em todas as transações em bolsa e à falta de incentivos ao pequeno investidor, para o qual o mercado já reclamava isenção de IR nos ganhos de até R$ 2 mil.
Mesmo assim, não esmoreceremos. Depois da Ação Cívica pelo Fortalecimento do Mercado de Capitais, o grande movimento liderado pela Bovespa para mostrar à sociedade a importância das bolsas de valores e que teve desde o início a adesão dos trabalhadores, a Associação Brasileira de Analistas do Mercado de Capitais (Abamec) anuncia um documento com idéias práticas e propostas, colocadas de forma harmônica e consistente, para tornar realidade, o que todos os envolvidos em bolsa pretendemos: um mercado forte, líquido, que favoreça empresas e trabalhadores, que gere impostos e promova o crescimento das empresas brasileiras e o aumento da riqueza nacional.
Pretendemos, enfim, que o nosso capitalismo, caboclo ou não, seja feito com capital. E o capital que venha dos sócios, via mercado de ações, como acontece em todas as economias desenvolvidas, onde a pulverização das ações reduz os riscos e promove a poupança de longo prazo.
O documento da Abamec, que está sendo chamado de Plano Diretor do Mercado de Capitais, será divulgado em abril próximo, em Porto Alegre, durante a reunião bi-anual da entidade, e pretende transformar-se no guia prático para tornar realidade todas as reivindicações contidas na Ação Cívica. Vamos esperar para ver e sentir como as autoridades respondem a este novo desafio salutar do mercado.
Quem sabe, talvez desta vez o patinho feio possa transformar-se, como na fábula infantil, em um belo cisne branco, capitalizando as empresas e promovendo o desenvolvimento econômico e social do País.
Francisco de Paula Elias Filho – Presidente
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BALANCETE DE DEZEMBRO DE 2001 |
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ATIVO |
PASSIVO |
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DISPONÍVEL R$ 1.684.869.05 |
PATRIMÔNIO LÍQUIDO R$ 1.819.479.99 |
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IMOBILIZADO R$ 189.432.70 |
CONTAS DE RESULTADOS R$ 54.821.76 |
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TOTAL DO ATIVO R$ 1.874.301.75 |
TOTAL DO PASSIVO R$ 1.874.301.75 |
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