O MERCADO DE TECNOLOGIA
O mercado brasileiro de capitais é o caminho natural para que as empresas de base tecnológica busquem recursos para financiar a ampliação de suas plantas ou o desenvolvimento de produtos ou serviços, já que exercem, em todo o mundo, grande atratividade entre os investidores.
Este é, em resumo, o teor da exposição feita pelo superintendente geral da BOVESPA, Gilberto Mifano, no 8º Fórum Venture, promovido pela Finep no auditório da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro e que reuniu empreendedores e investidores em busca de negócios. As empresas de base tecnológica são aquelas que fazem uso intensivo de inovação nos produtos ou processos e que, portanto, têm necessidade contínua de recursos.
O momento é muito propício para esse encontro de interesses das companhias com o Mercado de Capitais por vários motivos. Do lado das empresas, desde o ano passado elas podem abater como despesa operacional 100% dos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação. Na área institucional, a política industrial que se esboça caminha inexoravelmente para incentivar a substituição de importações, especialmente em setores como microeletrônica, eletroeletrônica e farmacêutico, e o incremento das exportações, o que significa, nas duas pontas, produzir bens ou serviços de alto valor agregado.
Os recursos disponíveis na Finep para financiar projetos de inovação chegam a R$ 1 bilhão este ano, incluídos os dos fundos setoriais. São verbas consideráveis, sem dúvida, mas insuficientes para atender à demanda numa mais do que provável fase de crescimento da economia.
Mesmo levando-se em conta que o BNDES pode destinar parte do orçamento para financiar projetos de desenvolvimento em tecnologia, é mais do que certo que caberá ao Mercado de Capitais suprir a maior parte das necessidades dessas companhias.
Do ponto de vista macroeconômico, a aprovação das reformas tributária e previdenciária – mesmo que ainda não sejam as ideais, mas as possíveis – abre espaço para a tão esperada e adiada queda da taxa de juros, o que representará por sua vez a retirada de um dos mais maiores empecilhos ao crescimento da economia, afetando igualmente o desempenho do Mercado de Capitais.
Removidos esses obstáculos, poderemos entrar novamente numa fase virtuosa, em que as bolsas exercerão papel preponderante no fomento ao desenvolvimento econômico do País, financiando os projetos de expansão das companhias, gerando riquezas e empregos.
Esse ciclo virtuoso poderá encontrar nas empresas de base tecnológica importante aliado: se as bolsas são o caminho natural para obtenção de recursos para o crescimento dessas companhias; elas, por seu lado, podem representar o redirecionamento de aplicações, aumentando a liquidez do mercado, mas principalmente ampliação da base de investidores, uma das metas perseguidas pela BOVESPA sob a competente gestão administrativa de Gilberto Mifano. Foram criados, por exemplo, 75 clubes de investimento e, de julho de 2000 a fevereiro deste ano, houve aumento de 28,4% no número de contas de pessoas físicas na custódia da Câmara Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC).
Alie-se a isso o notável desempenho do home broker, criado em 1999 para oferecer infra-estrutura amigável às pessoas físicas, e consequente redução de custos, com entrada de ordens dos investidores por meio da internet, no site das corretoras, ordens que têm tratamento idêntico ao das ordens dos grandes investidores institucionais.
O número de pessoas físicas em bolsa, contudo, só aumentará consideravelmente se o Congresso Nacional, imune a lobbies de setores que se sentem erradamente prejudicados, aprovar o projeto que permite a aplicação voluntária em bolsa de parte da conta dos empregados no FGTS, o que significaria aporte de R$ 2,5 bilhões anuais no mercado.
Demanda não falta, como mostraram as vendas de ações da Petrobrás e da Vale do Rio Doce, cujos lotes foram insuficientes para atender aos interessados.
Será muito importante que esses novos investidores encontrem o maior leque de opções
para investir. E as empresas de base tecnológica
são, como já se disse, muito atrativas às pessoas físicas – haja vista o sucesso da Nasdaq, nos Estados Unidos. Gilberto Mifano aconselhou-as a preparar-se internamente, mesmo antes de abrir capital, para adaptar-se às regras do Novo Mercado e de Governança Corporativa, o que facilitará seu acesso e sucesso quando colocarem os papéis, sejam ações, debêntures ou commercial papers. Sobre isso, fez detalhada exposição, mostrando como funciona a bolsa e seus instrumentos, e a forma como as companhias devem proceder para participar do Mercado.
As corretoras e distribuidoras do Rio de Janeiro estão atentas a essas novas oportunidades e aptas, com tecnologia e recursos humanos altamente qualificados, para trabalhar os papéis e dar consultorias às companhias e investidores.
O Estado do Rio é tradicional celeiro de empresas de base tecnológica e poderá contribuir, via mercado de capitais, para a formação de uma nova geração de empreendedores, voltados para a inovação e o desenvolvimento de produtos e serviços de alto valor agregado.
Francisco de Paula Elias Filho – Presidente
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